06 de janeiro de 2026 — A lua Europa, um dos principais alvos na busca por vida fora da Terra, pode não possuir energia interna suficiente para abrigar organismos, aponta um estudo divulgado nesta terça-feira (6) na revista Nature Communications.
O que o trabalho investigou
Liderada por Paul Byrne, professor associado de Ciências da Terra, Ambientais e Planetárias da Universidade de Washington em St. Louis, a equipe analisou a estrutura interna de Europa e simulou o funcionamento de sua geologia. O objetivo era avaliar se o fundo do oceano subterrâneo — interface entre água líquida e manto rochoso — poderia contar com fontes de calor semelhantes a vulcanismo ou sistemas hidrotermais, considerados essenciais para ambientes habitáveis.
Resultados desanimadores
De acordo com o estudo, a energia disponível no interior da lua é insuficiente para manter atividade geológica significativa no leito oceânico. Sem esse dinamismo, processos químicos que sustentariam formas de vida comparáveis às da Terra se tornariam improváveis.
“Se pudéssemos enviar um submarino remoto para esse oceano, não esperaríamos encontrar novas fraturas, vulcões ativos ou plumas de água quente”, declarou Byrne. “Geologicamente, tudo estaria calmo.”
Dados sobre a estrutura de Europa
• Camada de gelo: 15 a 25 km de espessura.
• Oceano subterrâneo: 60 a 150 km de profundidade, possivelmente com até três vezes mais água do que nos oceanos terrestres.
• Interior: manto rochoso envolvendo um núcleo metálico.
Papel do aquecimento de maré
O aquecimento gerado pela interação gravitacional entre Júpiter e suas quatro grandes luas — Io, Europa, Ganimedes e Calisto — impede que o oceano congele por completo. Segundo os autores, porém, a intensidade atual desse processo seria fraca demais para produzir o tipo de vulcanismo observado em Io, a lua mais ativa do Sistema Solar.
Imagem: Artsiom P Shutterstock
Próximas etapas da investigação
Apesar das conclusões, a hipótese de habitabilidade em Europa ainda será testada por missões espaciais já confirmadas:
- Europa Clipper, da NASA, programada para analisar composição, estrutura e potencial de vida na lua joviana.
- Juice, da Agência Espacial Europeia (ESA), dedicada a Ganimedes, mas que também coletará dados sobre Europa e Calisto.
Para Byrne, mesmo um resultado negativo faz parte do processo científico. “O universo é vasto, e a busca continua”, afirmou.
Com informações de WizyThec

