Vacinas de mRNA contra Covid-19 dobram sobrevida de pacientes oncológicos, aponta estudo

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Vacinas de mRNA desenvolvidas para combater a Covid-19 podem melhorar significativamente a resposta de pacientes em tratamento contra o câncer. A conclusão foi apresentada nesta segunda-feira (19/10/2025) durante o Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) e se baseia em dados de mais de 1.000 pessoas acompanhadas entre agosto de 2019 e agosto de 2023.

Coordenado por Steven Lin, M.D., Ph.D., professor de Oncologia Radioterápica, e pelo residente sênior Adam Grippin, M.D., Ph.D., o trabalho indica que receber uma vacina de mRNA contra a Covid-19 em até 100 dias após o início da imunoterapia com inibidores de checkpoint imunológico dobra a chance de o paciente estar vivo três anos depois.

Como as vacinas atuam

Nos testes pré-clínicos, os pesquisadores observaram que os imunizantes funcionam como um “alarme”, ativando o sistema de defesa para reconhecer e eliminar células tumorais. Em resposta, muitos tumores passam a produzir a proteína PD-L1, utilizada para driblar o ataque das células imunológicas. É justamente esse mecanismo que os inibidores de checkpoint procuram bloquear, criando um cenário favorável à destruição do câncer.

Resultados por tipo de tumor

No grupo com câncer de pulmão avançado, 180 pacientes vacinados apresentaram sobrevida média de 37,3 meses, contra 20,6 meses registrados nos 704 que não tomaram a vacina. Entre pessoas com melanoma metastático, a mediana de sobrevida ainda não foi alcançada nos 43 vacinados, enquanto ficou em 26,7 meses para 167 não vacinados.

Os benefícios foram ainda mais pronunciados em tumores com baixa expressão de PD-L1, geralmente menos responsivos à imunoterapia. Nesses casos, a probabilidade de sobrevivência em três anos quase quintuplicou entre os vacinados.

Próximos passos

Animada com os resultados, a equipe planeja um ensaio clínico de Fase III para confirmar se a administração rotineira da vacina de mRNA contra a Covid-19 deve ser incorporada ao protocolo padrão de tratamento oncológico.

Segundo Grippin, a facilidade de acesso e o baixo custo desses imunizantes abrem caminho para aprimorar terapias imunológicas existentes e estender seus benefícios a pacientes com doenças resistentes.

Os efeitos positivos apareceram de forma consistente, independentemente do fabricante da vacina, do número de doses recebidas ou do centro médico responsável pelo tratamento.

Com informações de WizyThec

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