Pesquisadores do Instituto Physics for Medicine (Inserm/ESPCI Paris-PSL/CNRS), na França, apresentaram um ultrassom capaz de mapear o fluxo sanguíneo de órgãos inteiros em quatro dimensões — três espaciais mais o tempo — com resolução inédita. A equipe demonstrou o equipamento em modelos animais de tamanho comparável ao humano, visualizando desde grandes vasos até capilares menores que 100 micrômetros.
Segundo o pesquisador Clément Papadacci, autor sênior do estudo, o diferencial da tecnologia está na capacidade de captar a dinâmica do sangue em todo o órgão, em escalas microscópicas, sem perder detalhes. Esse tipo de observação era impossível com métodos de imagem anteriores.
Aplicações clínicas em vista
O dispositivo é não invasivo, pode ser acoplado a equipamentos portáteis e abre caminho para uma série de aplicações:
- Diagnóstico pormenorizado de doenças cardiovasculares e renais;
- Monitoramento da microcirculação em tratamentos crônicos;
- Planejamento cirúrgico baseado em dados reais de fluxo sanguíneo;
- Pesquisa sobre dinâmica vascular em larga escala;
- Desenvolvimento de terapias personalizadas guiadas por mapeamento hemodinâmico.
Nos testes, o ultrassom 4D conseguiu diferenciar as três redes sanguíneas do fígado — arterial, venosa e portal — analisando características hemodinâmicas específicas de cada uma. Resultados semelhantes foram obtidos em coração e rins, indicando potencial para melhorar o manejo de condições como insuficiência cardíaca e doenças renais crônicas.
Imagem: Kateryna K
Com apoio do Technological Research Accelerator for Biomedical Ultrasound, iniciativa do Inserm integrada ao mesmo instituto, o próximo passo será iniciar ensaios clínicos em humanos. A expectativa dos cientistas é que o equipamento se converta em ferramenta de rotina para compreender, diagnosticar e tratar problemas circulatórios com maior precisão.
Com informações de WizyThec

