Piolhos, vermes subcutâneos e agentes da chamada “cegueira dos rios” compõem a lista de parasitas capazes de viver sobre ou sob a pele humana, provocando desde simples coceira até perda de visão.
Piolhos: três espécies adaptadas ao corpo humano
O grupo dos piolhos reúne mais de 5 mil espécies da ordem Phthiraptera, todas dependentes de animais de sangue quente. Nos seres humanos, três delas se destacam:
Piolho da cabeça – Pequeno e quase invisível, instala-se no couro cabeludo, alimenta-se de sangue várias vezes ao dia e espalha-se com facilidade por contato direto. Suas picadas causam coceira e irritação, mas não há registro de transmissão de doenças. A presença do inseto independe de condições de higiene.
Piolho do corpo – Vive nas roupas e aproxima-se da pele apenas para se alimentar. Costuma aparecer em ambientes superlotados e com pouca higienização. Diferentemente do piolho da cabeça, pode transmitir patógenos de tifo e febre das trincheiras.
Piolho pubiano (chato) – Prefere áreas com pelos grossos, mas pode atingir os cílios de crianças. Provoca coceira intensa e inflamação local, sem evidências de que carregue doenças.
Loa loa: o “verme dos olhos”
Transmitido pela picada de moscas-do-cervo em regiões tropicais úmidas da África Central e Ocidental, o nematódeo Loa loa pode viver até 17 anos no corpo humano, geralmente no tecido subcutâneo. O parasita desloca-se lentamente sob a pele e às vezes atravessa a superfície dos olhos, origem de seu apelido.
A infecção provoca inchaços temporários, conhecidos como edemas de Calabar, principalmente próximos às articulações. Quando o verme morre, podem surgir inflamações persistentes, pequenos abscessos e fibrose. O tratamento combina medicamentos antiparasitários, como dietilcarbamazina, e, em certos casos, remoção cirúrgica. O controle das moscas transmissores é fundamental para prevenir novos casos.
Imagem: YSach
Onchocerca volvulus: parasita da “cegueira dos rios”
O verme Onchocerca volvulus é transmitido por fêmeas de borrachudos do gênero Simulium, que se reproduzem em águas correntes e claras de rios na África subsaariana. O parasita forma nódulos sob a pele (onchocercomas) e libera larvas que migram por todo o corpo, inclusive para os olhos.
Os sintomas incluem coceira intensa, lesões cutâneas e inflamações oculares que podem levar à perda de visão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a oncorcercose como uma das doenças tropicais negligenciadas mais impactantes: milhões de pessoas apresentam lesões cutâneas e mais de um milhão já sofreram algum grau de cegueira.
O tratamento padrão é a ivermectina, capaz de eliminar as larvas e interromper a transmissão; em algumas regiões, utiliza-se também a moxidectina. Segundo a OMS, mais de 99% dos casos concentram-se na África e no Iêmen, com o restante restrito a uma faixa de fronteira entre Brasil e Venezuela. Programas de distribuição periódica de medicamentos visam reduzir a circulação do parasita em áreas ribeirinhas onde o inseto vetor se multiplica.
Com informações de WizyThec

