Detectado em julho, o cometa 3I/ATLAS — terceiro objeto interestelar já observado no Sistema Solar — atinge o periélio na próxima quarta-feira (29). Nesse ponto da órbita, a intensa radiação solar tende a aquecer o núcleo, podendo provocar seu rompimento.
O cenário remete ao ocorrido com o antecessor 2I/Borisov. Dados do Telescópio Espacial Hubble analisados pela NASA mostraram que o Borisov se fragmentou depois de passar perto do Sol. O processo começou quando o calor evaporou compostos voláteis, alterando o equilíbrio do corpo e acelerando sua rotação até o colapso.
Fragmentação do Borisov
O 2I/Borisov alcançou o periélio em dezembro de 2019. No início de março de 2020, seu brilho aumentou significativamente, indício de que material interno estava sendo expelido. Observações conduzidas pelos astrônomos Michal Drahus e Piotr Guzik apontaram possível fratura do núcleo.
No fim de março, novas imagens confirmaram a separação em dois blocos, distanciados cerca de 180 quilômetros, descoberta liderada por David Jewitt, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). A ruptura forneceu dados inéditos sobre a composição química do cometa, semelhante à de corpos formados junto ao Sol, sugerindo processos de formação planetária parecidos em diferentes regiões da galáxia.
Trajetória atual do 3I/ATLAS
Entre o início de outubro e meados de novembro, o 3I/ATLAS permanece oculto pelo brilho solar, dificultando observações a partir da Terra. Apesar disso, o astrônomo amador tailandês Worachate Boonplod conseguiu localizá-lo em registros diários do coronógrafo CCOR-1, instalado no satélite GOES-19 da NOAA.
Imagem: TheSkyLive.com
Com a aproximação do periélio, cientistas acompanham o visitante para verificar se ele resistirá à radiação ou seguirá o destino de Borisov, fornecendo novos dados sobre a natureza de corpos originados fora do Sistema Solar.
Com informações de WizyThec

