O presidente Vladimir Putin determinou que o governo da Rússia conclua, até 1.º de dezembro, um plano de longo prazo para a extração e o refino de terras raras, grupo de metais cruciais para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética. A iniciativa busca diminuir a dependência russa da China, responsável por quase 70% da produção mundial, e conquistar espaço em uma cadeia que movimenta bilhões de dólares.
Plano deve ficar pronto ainda em 2025
De acordo com informações da CNBC, o documento exigido por Putin deverá detalhar metas de exploração, investimentos e parcerias internacionais. A pressa reflete a posição modesta do país no setor: segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, a Rússia responde por apenas 0,64% da produção global.
Infraestrutura limitada e sanções no caminho
Embora possua jazidas relevantes, Moscou enfrenta entraves ligados à falta de tecnologia de refino, à escassez de infraestrutura e às sanções econômicas impostas após o início da guerra na Ucrânia, que restringem o acesso a capitais e equipamentos ocidentais. Analistas consultados pela emissora norte-americana afirmam que o Kremlin vê nas terras raras uma oportunidade para diversificar uma economia ainda centrada em petróleo e gás.
Para o consultor Willis Thomas, do CRU Group, “os russos correm por oportunidade, enquanto os americanos correm por necessidade”. Ele destaca que, na mineração, a barreira de entrada é menor; o desafio maior está no refino químico, etapa em que a China mantém ampla vantagem.
Disputa internacional se acirra
O movimento russo ocorre em meio a tensões comerciais. Recentemente, Pequim impôs licenças obrigatórias de exportação para terras raras, alegando motivos de segurança nacional. A medida foi interpretada como resposta às restrições de Washington contra a indústria chinesa de semicondutores, reforçando o uso desses minerais como peça estratégica na chamada “guerra dos chips”.
Imagem: miss.cabul
Brasil detém a segunda maior reserva
Fora do eixo China-Estados Unidos-Rússia, o Brasil também figura nesse tabuleiro. O Serviço Geológico do Brasil estima que o país possua 21 milhões de toneladas de reservas, ficando atrás apenas da China. Entretanto, a produção brasileira foi de apenas 20 toneladas em 2024. Em maio, entrou em operação, em Aparecida de Goiânia (GO), a primeira fábrica nacional dedicada ao processamento de terras raras para ímãs, alcançando pureza superior a 95% e sinalizando possíveis avanços na cadeia de valor.
Com a nova diretriz do Kremlin, a corrida por fontes alternativas e por maior controle do refino de terras raras tende a intensificar a competição entre as principais economias, enquanto países com grandes jazidas, como Brasil e Rússia, buscam reduzir a dependência da capacidade tecnológica chinesa.
Com informações de WizyThec

