Um trabalho do físico teórico Eugeny Babichev, da Universidade Paris-Saclay (França), propõe que o brilho azulado observado em reatores nucleares – a radiação Cherenkov – seja um sinal controlado da presença de “fantasmas” de energia negativa, partículas hipotéticas que ameaçariam a estabilidade do Universo.
Publicado na revista Physical Review D, o artigo mostra que o fenômeno óptico, gerado quando partículas carregadas ultrapassam a velocidade da luz em um meio como a água, é matematicamente idêntico à instabilidade prevista em certos modelos de gravidade modificada que admitem essas partículas de energia negativa.
Conexão entre laboratório e cosmos
Segundo Babichev, associar a radiação Cherenkov a fantasmas quânticos fornece uma ferramenta experimental para testar onde as teorias atuais – relatividade geral e mecânica quântica – deixam de se encaixar. Enquanto o brilho azul requer um meio físico, os fantasmas surgiriam no vácuo, sugerindo que o espaço-tempo teria um “limite de velocidade” próprio para a gravidade. Quando esse limite é ultrapassado, ocorreria a criação simultânea de partículas com energia positiva e negativa.
Impacto na busca por nova física
Para o pesquisador, o padrão visual da Cherenkov em água pode servir de modelo para eventos extremos no Universo, como regiões próximas a buracos negros, onde a instabilidade quântica seria suficientemente lenta para ser detectada por instrumentos astronômicos. A partir dessa semelhança, o estudo orienta futuras observações em busca de emissões luminosas equivalentes no vácuo cósmico.
Além de oferecer um roteiro teórico que elimina modelos gravitacionais inconsistentes, a proposta reduz a dependência apenas de equações complexas: agora, astrônomos podem procurar assinaturas de luz que indiquem a atuação dessas partículas de energia negativa em ambientes de gravidade intensa.
Imagem: Pedro Spadi via ChatGPT
Embora não apresente um método imediato para a detecção, o trabalho de Babichev delimita onde e como procurar indícios de que o vácuo pode decair, passo considerado essencial para unir as grandes teorias da física moderna.
Com informações de WizyThec

