Uma análise de amostras coletadas pela missão chinesa Change-6 reforça a hipótese de que um choque de grandes proporções, ocorrido há bilhões de anos, é responsável pelas diferenças marcantes entre as duas faces da Lua. O trabalho, liderado pela Academia Chinesa de Ciências, examinou material trazido do lado oculto do satélite em 2024.
Diferença química entre os hemisférios
Pesquisadores avaliaram isótopos de ferro e potássio presentes na poeira retirada da bacia Polo Sul-Aitken e compararam os resultados com amostras do lado voltado para a Terra, obtidas nas missões Apollo e Change-5. O estudo revelou que:
- Os basaltos do hemisfério visível contêm proporção maior de isótopos leves.
- O material do lado oculto apresenta concentrações elevadas de isótopos pesados.
Segundo os cientistas, esse contraste não se explica apenas pela atividade vulcânica que moldou a superfície lunar.
Origem na bacia Polo Sul-Aitken
A interpretação do grupo é que o impacto que criou a bacia – estrutura que ocupa cerca de um quarto da área da Lua – perfurou o manto em profundidade, gerando calor suficiente para derreter e vaporizar rochas internas. Nesse processo, os isótopos mais leves teriam se dissipado com maior facilidade, deixando uma assinatura química distinta que hoje é observada no lado oculto.
Implicações para a evolução lunar
Além de alterar a composição do manto, o evento pode ter desencadeado movimentos de convecção em escala hemisférica, influenciando a formação das planícies basálticas visíveis da Terra. Os autores ressaltam que essa hipótese dependerá da análise de novas amostras para ser confirmada.
Imagem: Heng-Ci Tian Chi Zhang Wen-Jun Li e Fu-Yuan Wu
O enigma da assimetria lunar intriga a comunidade científica desde 1959, quando a sonda soviética Luna 3 enviou as primeiras imagens do hemisfério não iluminado. As diferenças entre a superfície escura e lisa do lado próximo e a paisagem craterada do lado distante seguem no centro das investigações sobre a história geológica do satélite.
Com informações de WizyThec

