Passagem de 3I/ATLAS perto de Júpiter pode alterar rota do cometa interestelar

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O cometa interestelar 3I/ATLAS, terceiro visitante extrassolar já identificado, deverá cruzar o limite da influência gravitacional de Júpiter em 16 de março de 2026, e esse encontro pode provocar uma leve mudança em seu percurso antes da saída definitiva do Sistema Solar.

Simulações indicam possível desvio

O resultado aparece em um estudo disponibilizado no repositório arXiv, conduzido por Goldy Ahuja, do Laboratório de Pesquisas Físicas de Ahmedabad, e Shashikiran Ganesh, do Instituto Indiano de Tecnologia de Gandhinagar. A dupla realizou 500 simulações estatísticas para reconstruir a trajetória do objeto ao longo de bilhões de anos e prever seu caminho futuro.

Nos cenários calculados, Marte exerce influência menor, enquanto Júpiter se destaca pelo extenso raio de Hill, região que delimita o poder gravitacional do planeta. Ao passar próximo a essa fronteira, o cometa poderá sofrer um desvio discreto, dependendo também de fatores não gravitacionais, como jatos de gás expelidos pelo próprio núcleo e a pressão da radiação solar.

Origem ainda incerta

Descoberto em julho de 2025 pelo sistema de monitoramento ATLAS, o 3I/ATLAS viaja a cerca de 58 km/s, velocidade mais comum em corpos provenientes de fora da vizinhança solar. A rota do objeto sugere que ele chegou da direção da constelação de Sagitário e deve partir em direção a Gêmeos.

Apesar de não haver consenso sobre o ponto exato de origem, a equipe trabalhou com a hipótese de que o cometa tenha sido ejetado de um antigo sistema planetário situado no disco espesso da Via Láctea. A análise considera ainda evidências de que ele possa estar viajando sozinho há até 10 bilhões de anos.

Janela de observação via sonda Juno

Com base na posição da sonda Juno, que orbita Júpiter, os autores indicam que o intervalo de 9 a 22 de março de 2026 será o melhor para observações detalhadas do 3I/ATLAS. Nesse período, a espaçonave estará mais próxima da linha imaginária que conecta o cometa ao gigante gasoso.

Novo monitoramento ao longo dos próximos meses será decisivo para refinar as projeções de rota e avaliar o impacto de possíveis acelerações causadas pela liberação de material volátil do núcleo.

Com informações de WizyThec

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