São Francisco (EUA) – A Intel divulgou nesta semana resultados financeiros acima das estimativas de Wall Street, acompanhados de alta nas ações e de um discurso otimista sobre a reestruturação em curso. Apesar do bom desempenho, analistas continuam questionando o futuro da unidade de fundição de chips, considerada estratégica pelo governo dos Estados Unidos.
Receita e lucro voltam a crescer
No terceiro trimestre, a fabricante registrou receita de US$ 13,6 bilhões (aproximadamente R$ 73,4 bilhões), superando a projeção de US$ 13,1 bilhões (R$ 70,7 bilhões). O lucro ajustado por ação foi de US$ 0,23 (R$ 1,24), enquanto o lucro líquido atingiu US$ 4,1 bilhões (R$ 22 bilhões). O resultado encerra uma sequência de seis trimestres consecutivos de prejuízo, a mais longa em 35 anos.
A empresa acrescentou ainda US$ 20 bilhões (R$ 107,4 bilhões) ao balanço patrimonial durante o período, fator que contribuiu para a valorização dos papéis na bolsa.
Parcerias e investimentos externos
A melhora financeira foi impulsionada por acordos fechados em 2025. Em agosto, a SoftBank adquiriu ações equivalentes a R$ 10,87 bilhões. Na mesma época, a Nvidia comprou participação de US$ 5 bilhões (R$ 26,8 bilhões) para colaborar no desenvolvimento de chips para PCs e data centers. Outro movimento decisivo foi a compra de 10% do capital da Intel pelo governo dos Estados Unidos, em acordo inédito com uma empresa privada do setor de semicondutores.
Pronunciamento do CEO
Durante a teleconferência de resultados, o diretor-executivo Lip-Bu Tan agradeceu o apoio do presidente Donald Trump e do secretário Howard Lutnick, destacando que o reforço no caixa dá “maior flexibilidade operacional” para cumprir a estratégia da companhia.
Incerteza na unidade de fundição
Embora tenha superado expectativas, a Intel ofereceu poucos detalhes sobre a divisão de fundição, responsável pela produção de chips sob encomenda. A área, considerada vital pelo governo norte-americano, acumula resultados insatisfatórios desde a criação e vem passando por cortes de pessoal desde a chegada de Tan ao comando em março.
Imagem: PJ McDnell
Segundo analistas ouvidos recentemente, o problema não seria falta de capital, mas de uma estratégia clara para tornar a operação rentável. Pelo acordo com Washington, a empresa pode sofrer penalizações se se desfizer do negócio nos próximos cinco anos. Ainda assim, Tan limitou-se a dizer que a fundição “está posicionada de forma única” para aproveitar a crescente demanda por semicondutores.
Investidores aguardam detalhes sobre os próximos passos da divisão para avaliar se a recuperação financeira da Intel será sustentável.
Com informações de WizyThec

