Um asteroide com dimensões mais de dez vezes superiores ao corpo celeste que extinguiu os dinossauros pode ter atingido a Lua há cerca de 4,3 bilhões de anos, segundo estudo publicado na revista Nature. A colisão teria escavado a Bacia do Polo Sul-Aitken (SPA), cratera de aproximadamente 2.500 quilômetros de diâmetro e até 8 quilômetros de profundidade, considerada a mais antiga e extensa do satélite natural.
Origem da cratera
Pesquisadores analisaram dados da missão Lunar Prospector, sonda da NASA que orbitou a Lua entre 1998 e 1999. Os registros revelaram elevada concentração de tório — componente-chave da mistura radioativa conhecida como KREEP (potássio, elementos de terras raras e fósforo) — ao redor da borda sudoeste da SPA.
Comparando o formato da bacia lunar com estruturas semelhantes em Marte (bacia Hellas) e Plutão (bacia Sputnik), a equipe identificou uma extremidade arredondada e outra pontiaguda. Esse padrão sugere a direção do impacto e indica que o asteroide atingiu o lado oculto da Lua, dispersando o material radioativo para a região sul da cratera.
Relevância para as missões Artemis
A análise reforça a importância científica do local escolhido para a missão Artemis III, programada pela NASA para 2027. A alunissagem está prevista justamente na borda sul da SPA, área onde se concentram os detritos do impacto e rochas profundas trazidas à superfície. Antes disso, a Artemis II deverá enviar uma tripulação para orbitar o satélite no início do próximo ano, abrindo caminho para a exploração em solo.
Imagem: NASA
A Lua se formou há cerca de 4,5 bilhões de anos, possivelmente após o choque entre a Terra primitiva e um protoplaneta do tamanho de Marte. Nos 200 milhões de anos seguintes, sua superfície permaneceu coberta por um oceano de magma, que esfriou ao se afastar do nosso planeta e consolidou uma crosta praticamente intacta desde então. A investigação sobre a SPA e o material KREEP pode oferecer novas pistas sobre esse período inicial da história lunar.
Com informações de WizyThec

