A aceleração dos investimentos em inteligência artificial (IA) ‑ concentrados sobretudo nos Estados Unidos ‑ pode adicionar entre 0,1% e 0,8% ao crescimento econômico mundial, estimou a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. O alerta foi feito durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Washington.
Georgieva destacou que o impacto da tecnologia tende a ser forte, porém desigual. Segundo ela, o aproveitamento dos ganhos da IA depende do acesso de cada país a recursos financeiros, infraestrutura digital e programas de capacitação.
Dois cenários em disputa
Para a dirigente, o avanço rápido da IA pode criar “duas realidades paralelas”: de um lado, economias com ampla infraestrutura tecnológica e investimentos robustos; de outro, nações em desenvolvimento que enfrentam dificuldades para acompanhar a inovação.
Ela reforçou a necessidade de políticas públicas inclusivas para reduzir esse gap. “Se conseguirmos extrair esse impulso de crescimento, será muito significativo para o mundo”, afirmou, condicionando o resultado a investimentos globais em qualificação profissional.
Efeitos sobre o emprego
Análise divulgada pelo FMI em 2024 apontou que a IA deve afetar quase 40% dos empregos no planeta. Nas economias avançadas, a proporção pode chegar a 60%. Em metade desses casos, os trabalhadores ganharão produtividade com a tecnologia; na outra metade, tarefas atualmente realizadas por humanos poderão ser automatizadas, reduzindo demanda por mão de obra e pressionando salários.
Imagem: Governo do Peru
Nos países de baixa renda, o impacto estimado é menor — 26% dos postos de trabalho —, mas a instituição alerta que a IA tende a aumentar a desigualdade global caso não haja iniciativas para democratizar o acesso à tecnologia.
Georgieva concluiu que governos e instituições precisam coordenar esforços para garantir que o progresso tecnológico se transforme em crescimento compartilhado, e não em nova fonte de divisão econômica.
Com informações de WizyThec

