Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, liderados pela professora de engenharia elétrica e ciências da computação Rikky Muller, desenvolvem uma nova geração de dispositivos médicos miniaturizados, flexíveis e biocompatíveis capazes de operar dentro do corpo humano.
Comunicação com neurônios por hologramas
O laboratório de Muller trabalha em um sistema que usa hologramas e feixes de luz para estimular e registrar a atividade de neurônios sem danificar o tecido cerebral. A equipe destaca que, em apenas 1 milímetro cúbico do córtex, existem cerca de 50 mil neurônios, e não há ferramenta atual que permita diálogo bidirecional com todos eles de maneira segura. A proposta é modificar os neurônios para emitir sinais luminosos por fluorescência e torná-los sensíveis à luz projetada em padrões tridimensionais.
Dispositivos em teste
Além do projeto óptico, os pesquisadores desenvolvem três frentes aplicáveis em pacientes:
- Fones de ouvido contra sonolência – Inspirado nos AirPods, o acessório detecta sinais cerebrais relacionados ao início do sono e alerta o usuário antes que ele adormeça. Criado em parceria com a Ford, o sistema emprega IA para reconhecer padrões de fadiga em tempo real, com foco na prevenção de acidentes de trânsito.
- Implante para obesidade e diabetes – Um dispositivo bioeletrônico libera medicamentos como GLP-1 de forma contínua e ajustável. Sensores internos medem a dosagem necessária e regulam a entrega do fármaco, substituindo injeções semanais.
- Chips com inteligência artificial embarcada – O grupo trabalha para incluir algoritmos de aprendizado de máquina em componentes implantáveis e vestíveis. A meta é que esses “pequenos médicos” monitorem sinais em tempo real e ajustem terapias sem depender de processamento na nuvem.
Muller afirma que o objetivo central é permitir que cada dispositivo aprenda com o corpo do paciente, acelerando diagnósticos, reduzindo custos e tornando os tratamentos mais precisos.
Imagem: Kateryna K
Com informações de WizyThec

