Supercomputador Fugaku avalia variação da energia escura e desafia modelo cosmológico padrão

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Tóquio (Japão) – Um consórcio de cientistas do Japão, Espanha e Estados Unidos utilizou o supercomputador Fugaku para executar o maior conjunto de simulações cosmológicas já realizado e testar a hipótese de que a energia escura – responsável pela expansão acelerada do Universo – possa mudar ao longo do tempo.

Três cenários em alta resolução

Com mais de 150 mil processadores e capacidade de superar 442 petaflops (mais de 400 quatrilhões de cálculos por segundo), o Fugaku permitiu comparar:

  • o modelo padrão ΛCDM, em que a energia escura é constante;
  • um Universo com energia escura dinâmica (DDE) sem alterar outros parâmetros;
  • um Universo com DDE ajustado segundo dados recentes do Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), incluindo aumento de 10% na densidade de matéria.

Cada simulação alcançou volumes oito vezes maiores que estudos anteriores, segundo a equipe liderada pelo astrofísico Tomoaki Ishiyama, da Universidade de Chiba.

Efeitos observados

Quando analisada isoladamente, a energia escura variável mostrou influência modesta na formação de estruturas cósmicas. Ao incorporar os parâmetros do DESI, porém, os resultados mudaram:

  • a quantidade de aglomerados de galáxias massivos nos primeiros bilhões de anos aumentou até 70%;
  • houve maior concentração de galáxias em escalas menores, sugerindo um cosmos mais denso que o previsto pelo ΛCDM;
  • o pico das oscilações acústicas bariônicas deslocou-se 3,7% para escalas menores, coincidindo com medições do próprio DESI.

Próximos passos

Os achados, publicados em agosto na revista Physical Review D, fornecem base teórica para futuros levantamentos, como o Subaru Prime Focus Spectrograph e novas fases do DESI. Paralelamente, o Japão investe no FugakuNEXT, sucessor do atual supercomputador, com o objetivo de ampliar a capacidade de explorar questões fundamentais da cosmologia.

Para Ishiyama, entender possíveis variações da energia escura é crucial para explicar a história do Universo e projetar seu futuro. A combinação de poder de computação e observações astronômicas, afirma o pesquisador, tende a se tornar cada vez mais determinante nas próximas décadas.

Com informações de WizyThec

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