A sonda Europa Clipper, da NASA, pode atravessar a cauda iônica do cometa interestelar 3I/ATLAS entre esta quinta-feira (30) e 6 de novembro, segundo previsão dos cientistas Samuel Grant, do Instituto Meteorológico Finlandês, e Geraint Jones, da Agência Espacial Europeia (ESA). Caso ocorra, será a primeira vez que uma espaçonave terá contato direto com partículas originadas em outro sistema estelar.
O cenário foi apresentado em um estudo ainda em revisão publicado no repositório arXiv. Utilizando o software Tailcatcher, os pesquisadores simularam o vento solar — fluxo de partículas emitidas pelo Sol — e concluíram que ele pode arrastar íons da cauda do 3I/ATLAS até o trajeto da sonda, dispensando qualquer manobra adicional.
Janela rara de observação
O cometa atinge nesta quarta-feira (29) o periélio, a cerca de 200 milhões de quilômetros do Sol, fase em que sua atividade aumenta e a cauda iônica se estende. Ao mesmo tempo, a Europa Clipper está a mais de 300 milhões de quilômetros da estrela, após sobrevoar Marte no início do ano. O alinhamento geométrico Sol-cometa-sonda amplia a chance de interseção com as partículas carregadas.
Para confirmar a origem interestelar do material, os instrumentos da Europa Clipper deverão analisar a composição química dos íons. Partículas provenientes de cometas costumam conter moléculas de água e dióxido de carbono, enquanto o vento solar é formado principalmente por hidrogênio e hélio.
Histórico e perspectivas
Apenas dois objetos interestelares foram confirmados até hoje — 1I/ʻOumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019) — sem que qualquer sonda conseguisse interagir diretamente com eles. Se a previsão de Grant e Jones se concretizar, a Europa Clipper inaugurará uma nova forma de estudá-los.
O Tailcatcher já demonstrou precisão em 2020, quando previu o encontro da Solar Orbiter com a cauda do cometa C/2019 Y4. A confiabilidade do modelo reforça o otimismo da equipe, embora o sucesso dependa da direção e da intensidade do vento solar nos próximos dias.
Imagem: Observatório Internacial Gini
Outra espaçonave, a Hera (ESA), pode atravessar correntes semelhantes entre 25 de outubro e 1º de novembro, mas não dispõe de sensores adequados para medi-las. Já a Europa Clipper foi projetada para estudar radiação e partículas carregadas no ambiente de Júpiter e de sua lua Europa, contando com os instrumentos necessários para a tarefa.
Se confirmada, a detecção de partículas do 3I/ATLAS marcará um passo inédito na pesquisa de matéria formada em outros sistemas estelares, oferecendo dados sobre os blocos que originam planetas, estrelas e possivelmente a vida.
Com informações de WizyThec

