Especialistas apontam que algoritmos da internet alimentam polarização e lucram com publicações divisivas

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A internet nasceu nos anos 1960, em um projeto do governo dos Estados Unidos voltado a comunicações militares e de pesquisa. Em 1991, Tim Berners-Lee e Robert Cailliau oficializaram a World Wide Web com a expectativa de ampliar o acesso ao conhecimento e fortalecer a democracia. Três décadas depois, estudos indicam que a rede mundial tem provocado efeito oposto: a separação de usuários em grupos cada vez mais hostis.

Quem levanta o alerta

George Buchanan e Dana McKay, da RMIT University (Austrália), assinam artigo no portal The Conversation afirmando que os sistemas de recomendação das plataformas priorizam conteúdos capazes de gerar reações emocionais intensas. Segundo os pesquisadores, o modelo econômico das redes incentiva a exposição a publicações polêmicas porque cada curtida, compartilhamento ou comentário aumenta a receita de publicidade.

Como os algoritmos atuam

A prática coloca em evidência o fenômeno chamado “polarização afetiva”, no qual usuários passam a gostar apenas de quem compartilha suas opiniões e a nutrir raiva por pontos de vista diferentes. A lógica de engajamento reforça o ciclo: quanto mais ódio e indignação um post desperta, maior é sua distribuição.

Um relatório do Washington Post de 2021 citado no artigo mostra que o Facebook chegou a valorizar reações em emoji, inclusive a de raiva, em até cinco vezes mais que um simples “curtir”.

Efeitos fora das telas

Os autores lembram que a escalada de discursos extremos tem custos reais para a sociedade. Na Austrália, por exemplo, desinformação on-line impulsionou marchas neonazistas e levou ao cancelamento de eventos da comunidade LGBTQIA+ após ameaças virtuais, elevando despesas governamentais com saúde mental e segurança pública.

Possíveis caminhos

Para reduzir a fragmentação, pesquisas sugerem estimular tolerância a diferentes perspectivas e evitar compartilhar conteúdos inflamados. Entretanto, Buchanan e McKay sustentam que mudanças significativas dependem de uma revisão no modelo de negócios das redes sociais — possivelmente com regulamentação que diminua a lucratividade de publicações polêmicas e favoreça debates equilibrados.

Com informações de WizyThec

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