Cientistas localizaram, a cerca de 3,5 km abaixo da superfície do Mar da Groenlândia, o mais profundo vazamento frio de hidratos de gás já registrado. O achado foi detalhado em estudo publicado na revista Nature Communications e resulta da expedição Ocean Census Arctic Deep EXTREME24, realizada em 2024.
O novo sítio, batizado de montes de hidratos de gás Freya, é um conjunto de elevações submarinas de onde escapam metano e petróleo bruto, sustentando uma densa comunidade biológica formada por vermes tubulares, caracóis, crustáceos e microrganismos quimiossintéticos.
Como foi a descoberta
• A equipe utilizou um veículo operado remotamente (ROV) para explorar a Depressão de Molloy, no Ártico.
• O local está 1,5 km mais profundo do que qualquer infiltração fria documentada anteriormente.
• Imagens revelaram montes colapsados de hidrato cobertos por organismos adaptados à ausência de luz.
A autora principal, Giuliana Panieri, da Universidade de Tromsø (Noruega) e do Instituto de Ciências Polares do CNR (Itália), relatou ter “gritado de empolgação” ao ver as primeiras imagens: “A quase quatro mil metros, há oásis densos de vida. Sabemos que muitas espécies ali são novas”.
Plumas de gás recordes
A expedição foi motivada por detecções prévias de plumas de bolhas ascendentes. Uma delas atingiu 3,2 km de altura, a maior já medida nos oceanos. A expectativa era encontrar atividade geológica, mas a abundância de montes ricos em gás surpreendeu os pesquisadores.
Conexão com fontes hidrotermais
Além dos montes Freya, o grupo examinou fontes hidrotermais próximas, no Estreito de Fram. Análises indicam que os organismos de ambos os ambientes são aparentados, sugerindo conectividade ecológica rara em águas profundas do Ártico, conforme explicou o coautor Jon Copley, da Universidade de Southampton.
Imagem: ROV de um mte de hidrato de gás parci
Importância climática e proteção
Os hidratos de gás armazenam grandes volumes de metano, potencial gás de efeito estufa. Embora os montes Freya estejam fora do alcance direto do aquecimento atual dos oceanos, sua existência ajuda a mapear áreas que podem liberar gás no futuro e atrai interesse industrial para petróleo, gás e mineração em águas profundas.
Pesquisadores defendem que infiltrações frias profundas recebam o mesmo nível de proteção já proposto para fontes hidrotermais, devido às comunidades únicas que abrigam. A recomendação ganha peso enquanto a Noruega avalia retomar planos de exploração mineral no fundo do mar.
Ainda há vastas regiões inexploradas nas profundezas do Oceano Ártico. “Toda vez que conseguimos observar o fundo do mar, descobrimos algo novo”, concluiu Panieri.
Com informações de WizyThec

