A rápida expansão da inteligência artificial está drenando a oferta mundial de chips de memória NAND, DRAM e dispositivos de armazenamento, mas os principais produtores ainda evitam acelerar a construção de fábricas. O histórico de fortes oscilações do setor leva companhias como Micron, Samsung, Seagate, Western Digital, Sandisk e SK Hynix a adotar uma postura conservadora, mesmo diante de preços elevados e lucros recordes.
Preços em alta impulsionam resultados
Com a oferta limitada, o valor dos componentes disparou. A Micron registrou receita e lucro operacional recordes no último trimestre fiscal, enquanto a Samsung prevê que o lucro operacional do quarto trimestre triplique em relação ao mesmo período de 2024.
Investidores comemoram
O cenário de escassez favoreceu o mercado acionário: em 2025, os papéis de Micron, Seagate e Western Digital mais que dobraram de valor. A Sandisk, separada da Western Digital no início do ano, multiplicou seu valor de mercado por dez, e a SK Hynix acumulou forte valorização em poucos meses.
Consumo crescente nos data centers
A construção de infraestrutura voltada à IA é o principal motor da demanda. Segundo analistas, modelos desenvolvidos por Nvidia e AMD necessitam de grandes volumes de DRAM especializada, enquanto o tratamento dos dados gerados exige capacidades crescentes em SSDs e discos rígidos. Além disso:
- os lançamentos anuais de novos chips aumentam a demanda por memórias mais rápidas;
- investimentos de Amazon, Google, Microsoft e Meta somaram US$ 407 bilhões em 2025 e podem ultrapassar US$ 520 bilhões em 2026.
Projeções indicam crescimento sustentado
Estimativas da Bernstein apontam que os embarques globais de soluções de armazenamento devem avançar, em média, 19% ao ano nos próximos quatro anos, ritmo superior ao da última década.
Expansão lenta e gradual
Apesar das projeções otimistas, a maioria dos fabricantes mantém planos de expansão modestos. A Seagate é a única a sinalizar investimentos mais robustos, ainda assim dentro de sua média histórica. Na Sandisk, o orçamento de capital deve subir 18% no atual ano fiscal, mesmo com alta de 44% na receita.
Imagem: Michael Vi
Para o CEO da Sandisk, David Goeckeler, a ausência de contratos de longo prazo no segmento de memória dificulta decisões mais agressivas: fábricas levam anos para ficar prontas, mas os pedidos costumam ter prazos curtos. “O lado da demanda talvez precise assumir compromissos mais longos”, afirmou o executivo.
Com lembranças recentes de prejuízos bilionários — o último ciclo negativo terminou em 2023 —, empresas preferem avançar com prudência, mesmo em um dos períodos de maior aquecimento já registrado pelo mercado.
Com informações de WizyThec

