Uma investigação realizada pela agência Reuters com quase 40 entrevistados — entre eles 17 executivos de fabricantes e distribuidores — concluiu que o aumento dos investimentos em inteligência artificial (IA) e em eletrônicos de consumo abriu mais uma crise na oferta de chips de memória.
Demanda de IA desvia produção para HBM
Com o crescimento de modelos generativos, como o ChatGPT, grandes empresas de tecnologia intensificaram a construção de data centers. Para atender a esses projetos, os produtores de semicondutores passaram a priorizar a memória de alta largura de banda (HBM), fundamental para aplicações de IA, reduzindo o volume de módulos DRAM tradicionais usados em computadores pessoais e smartphones.
Níveis de estoque despencam
Dados da consultoria TrendForce mostram a velocidade dessa contração. No fim de 2024, os fabricantes sustentavam de 13 a 17 semanas de produção apenas com o material armazenado. Em julho de 2025, o intervalo caiu para 3 a 8 semanas; em outubro, recuou a 2 a 4 semanas.
Gigantes disputam componentes
Microsoft, Google, ByteDance e outras companhias de grande porte competem pela oferta limitada de chips. No varejo japonês, lojas impõem limites de venda de memórias e unidades de armazenamento, enquanto fabricantes de smartphones na China alertam para repasses de custos aos consumidores.
Efeitos já afetam preços e produção
Executivos e economistas ouvidos pela Reuters apontam redução na produção de equipamentos convencionais, atrasos em projetos de infraestrutura digital e nova pressão inflacionária global — cenário complicado para economias que ainda tentam conter a alta de preços.
Expansão só deve aliviar mercado a partir de 2027
Samsung Electronics e SK Hynix anunciaram planos de expansão, mas as fábricas destinadas a chips convencionais só devem entrar em operação entre 2027 e 2028. Em fórum do setor realizado em Seul, em outubro, o presidente da SK Hynix, Chey Tae-won, disse que a pressão sobre a cadeia de suprimentos pode durar até o fim de 2027 e afirmou estar preocupado com a capacidade de atender a todos os pedidos.
Empresas menores correm risco
Analistas preveem que apenas companhias com maior liquidez conseguirão atravessar o período de preços elevados e atrasos no fornecimento. Já players menores podem enfrentar dificuldades severas.
Imagem: Internet
Smartphones devem ficar mais caros
Marcas chinesas como Xiaomi e Realme reconhecem que o encarecimento das memórias deve ser repassado aos aparelhos. Francis Wong, diretor de marketing da Realme na Índia, calcula aumento de 20% a 30% até meados do próximo ano, afirmando que a valorização dos chips de armazenamento é a maior desde o surgimento dos smartphones. A Xiaomi planeja focar em modelos de maior valor agregado e redistribuir custos internamente para mitigar parte da alta.
Outros movimentos do mercado
Em novembro, a ASUS informou possuir estoque para aproximadamente quatro meses, mas admitiu possível reajuste conforme o mercado evolua. Já a taiwanesa Winbond, responsável por cerca de 1% da produção global de DRAM, aprovou em outubro um investimento de US$ 1,1 bilhão para ampliar capacidade. Segundo o presidente Pei-Ming Chen, clientes solicitam prioridade no fornecimento; um deles pediu contrato de seis anos para garantir componentes.
A disputa por memórias de alta performance segue intensa, e especialistas não veem solução rápida antes da entrada em operação de novas fábricas ao longo da próxima década.
Com informações de WizyThec

