O diretor-executivo da Nvidia, Jensen Huang, declarou que os Estados Unidos não estão “muito à frente” da China na disputa global por liderança em inteligência artificial (IA). A avaliação foi feita nesta quarta-feira, 8 de outubro, durante participação no programa Squawk Box, da CNBC.
Viagem a Pequim e elogios à concorrência chinesa
Huang viajou à China em julho, pouco depois de o então presidente norte-americano, Donald Trump, impor novas restrições comerciais ao país asiático. Desde então, o executivo tem mantido diálogo próximo com empresas chinesas e enfatizado o potencial tecnológico local.
“Não se esqueçam de que este é um país com chips. Eles têm a Huawei e startups muito sofisticadas construindo chips de IA”, afirmou. Segundo Huang, a atuação de companhias como Alibaba e Baidu mostra a velocidade com que o mercado chinês avança, impulsionada pela ausência de regulamentações que possam frear o desenvolvimento.
Impacto das sanções e resposta chinesa
As restrições impostas por Washington levaram Pequim a proibir a utilização de chips da Nvidia em entidades locais, abrindo espaço para fornecedores domésticos. “Os pedidos na China estão avançando incrivelmente rápido. Esta é uma área que me preocupa bastante”, disse o executivo.
Infraestrutura e pesquisa
Huang avaliou que a China já supera os EUA em energia e infraestrutura voltadas à IA, enquanto os norte-americanos mantêm a dianteira na produção de chips. De acordo com ele, o país asiático concentra 50% dos pesquisadores de IA do mundo e detém 30% do mercado de tecnologia, sustentado por uma base de aproximadamente um bilhão de usuários.
“O mercado chinês é grande. Não é um mercado do qual você possa se afastar facilmente se o objetivo for que os Estados Unidos vençam a corrida da IA”, declarou.
Imagem: Mijansk
Pressa na aplicação
Para o CEO, vencer a competição dependerá da rapidez na adoção prática de soluções de inteligência artificial. Ele citou empresas como Azure, CoreWeave e Anthropic como essenciais nessa etapa, mas ressaltou que os EUA precisam conquistar desenvolvedores e mercados globais em vez de disputar apenas internamente.
Apesar de a Nvidia ser considerada a principal fornecedora de chips de IA, a companhia mantém parcerias estratégicas — como as firmadas com OpenAI e Intel — para reforçar sua posição diante do avanço chinês.
As declarações de Jensen Huang reforçam a percepção de que a liderança norte-americana no setor depende não só do desenvolvimento de hardware, mas também da capacidade de disseminar rapidamente aplicações de IA em escala mundial.
Com informações de WizyThec

