Um estudo publicado neste mês no Astrophysical Journal Letters aponta a presença de um buraco negro de aproximadamente 450 mil massas solares no centro de Segue 1, galáxia anã ultra tênue situada a cerca de 75 mil anos-luz da Terra.
Para chegar à conclusão, a equipe utilizou dados do Observatório WM Keck, no Havaí, aliado a modelagens computacionais. Segundo os autores, as simulações só reproduziram a dinâmica observada em Segue 1 quando incluíram esse buraco negro supermassivo, indicando que o objeto — e não um halo de matéria escura — governa a gravidade local.
Principais achados
- O buraco negro supera em massa a soma de todas as estrelas da galáxia, algo incomum em sistemas tão pequenos.
- Estrelas próximas ao núcleo percorrem órbitas velozes e apertadas, sinal de um campo gravitacional extremamente concentrado.
- A descoberta sugere que galáxias anãs podem ser sustentadas por buracos negros centrais, revisando hipóteses que atribuíam esse papel quase exclusivamente à matéria escura.
- Segue 1 pode ter perdido parte de suas estrelas devido à influência gravitacional da Via Láctea ou representar uma versão local dos “pontos vermelhos compactos” observados no Universo primitivo.
Segue 1 é uma das companheiras mais tênues da Via Láctea, com apenas algumas centenas a milhares de estrelas. Até agora, acreditava-se que grandes porções de matéria escura forneciam a gravidade necessária para manter essa estrutura coesa. O novo trabalho indica, porém, que um único buraco negro pode desempenhar esse papel.
Para Nathaniel Lujan, autor principal e pesquisador de pós-graduação na Universidade do Texas em San Antonio, incluir buracos negros supermassivos nas simulações pode “revolucionar a modelagem” de galáxias anãs. O coautor Karl Gebhardt, professor da Universidade do Texas em Austin, acrescenta que, se a proporção observada em Segue 1 for comum, será preciso repensar os modelos de evolução desses sistemas.
Imagem: SIMBAD DSS.
Os autores ressaltam que a descoberta não descarta a matéria escura, mas exige uma redistribuição de seu papel em escalas menores, onde buracos negros podem ter influência maior do que se imaginava.
Com informações de WizyThec

