A plataforma X, antigo Twitter, bloqueou a veiculação de anúncios da Comissão Europeia poucos dias depois de ser multada em €120 milhões sob a Lei de Serviços Digitais da União Europeia (DSA). A penalidade, anunciada na sexta-feira passada, apontou que o sistema de selos azuis do serviço é enganoso e facilita golpes por falta de verificação substancial.
Nikita Bier, executivo do X, afirmou que o órgão europeu teria utilizado “uma brecha pouco conhecida” no gerenciador de anúncios da rede para ampliar artificialmente o alcance de publicações sobre a multa. “Parece que vocês acreditam que as regras não se aplicam à sua conta”, disse Bier ao comunicar o bloqueio da conta publicitária da Comissão.
Em resposta, a Comissão Europeia negou qualquer irregularidade. À BBC, representantes alegaram que todas as funcionalidades disponíveis são usadas “de boa-fé” em qualquer plataforma.
Origem da cobrança
A sanção de €120 milhões foi a primeira imposta ao X com base na DSA. Segundo o bloco, os selos azuis oferecem a impressão de verificação sem garantir autenticidade, expondo usuários a possíveis fraudes. O relatório também criticou a transparência limitada em anúncios e a dificuldade de pesquisadores acessarem dados públicos da rede.
Reações de Musk e de autoridades
Após a decisão europeia, Elon Musk publicou que a União Europeia “deveria ser abolida” e compartilhou postagens que comparavam o bloco ao fascismo. Nos Estados Unidos, o senador Marco Rubio e a Comissão Federal de Comunicações (FCC) acusaram Bruxelas de censurar empresas norte-americanas.
Imagem: Koshiro K
O episódio se soma a outras disputas entre a X e órgãos reguladores. Em 2024, a empresa enfrentou penalidades no Brasil, e, em 2023, foi multada na Austrália por não cooperar com investigações sobre segurança online.
Com o impasse mais recente, voltam ao centro do debate temas como supervisão de big techs e possíveis restrições a companhias dos Estados Unidos em mercados estrangeiros.
Com informações de WizyThec

