Cientistas identificaram indícios de material preservado da “proto-Terra”, estágio inicial do nosso planeta há 4,5 bilhões de anos. Os resultados foram publicados na revista Nature Geoscience na terça-feira (14).
Assinatura rara de potássio
A equipe analisou rochas com mais de 4 bilhões de anos coletadas na Groenlândia, no Canadá e em vulcões do Havaí. Nessas amostras, foi detectado um leve desequilíbrio nos isótopos de potássio, marcado por déficit de potássio-40 em comparação às proporções observadas na maior parte da crosta atual.
Simulações computadorizadas indicam que o chamado Grande Impacto — colisão entre a Terra e o corpo celeste Theia, do tamanho de Marte — pode ter criado essa escassez. Os modelos mostram que a mistura de materiais após o choque teria gerado uma composição um pouco mais rica em potássio-40, padrão predominante nas rochas contemporâneas.
Material ancestral intacto
De acordo com Nicole Nie, professora de Ciências da Terra e Planetárias do MIT e coautora da pesquisa, os dados representam “talvez a primeira evidência direta” de que fragmentos da Terra primitiva permanecem intactos nas profundezas do planeta.
Para testar se a assinatura química poderia vir de meteoritos antigos, o grupo comparou as razões de isótopos de potássio das rochas estudadas com a composição de materiais extraterrestres catalogados. Nenhum meteorito conhecido exibe o mesmo padrão, sugerindo origem interna.
Imagem: MIT News
Os pesquisadores alertam, entretanto, que o acervo de rochas espaciais analisadas até hoje é limitado. Novos estudos com amostras adicionais serão necessários para confirmar se o desequilíbrio de potássio-40 é, de fato, resquício direto da proto-Terra.
Com informações de WizyThec

