Departamentos financeiros de diversas companhias relatam um avanço expressivo de fraudes envolvendo recibos produzidos por chatbots generativos, como ChatGPT e Gemini. Segundo reportagem do The New York Times, funcionários vêm recorrendo a essas ferramentas para criar comprovantes de hotéis, passagens aéreas e refeições que jamais aconteceram.
Escalada repentina após 2024
A AppZen, empresa que audita relatórios de despesas corporativas, identificou que cerca de 30% dos recibos fraudulentos localizados hoje já são gerados por inteligência artificial. O volume total de tentativas de fraude aumentou 30% desde maio de 2024, afirmou o CEO Anant Kale.
O problema ficou mais visível depois que modelos capazes de criar imagens fotorrealistas se popularizaram nas redes sociais. Tutoriais ensinando a produzir comprovantes falsos começaram a circular, alertou Kale.
Resposta das empresas
Para conter as fraudes, companhias como SAP Concur e a própria AppZen desenvolveram algoritmos que buscam sinais deixados pela IA. Entre as estratégias estão:
- comparar recibos suspeitos com versões legítimas do mesmo fornecedor, observando espaçamento de caracteres e formatação;
- analisar metadados das imagens, embora o rastro desapareça quando o arquivo é capturado por meio de screenshot ou fotografado;
- cruzar horários de envio, destinos de viagem e histórico de gastos do funcionário;
- detectar repetições improváveis, como o mesmo nome de garçom ou o mesmo prato em notas diferentes.
Nicolas Ritz, que desenvolve produtos na Navan, empresa de software para viagens corporativas, comentou ao jornal que combater fraudes “exige usar IA contra a própria IA”, pois os modelos de geração de imagens avançam rapidamente.
Imagem: tadamichi
Jogo de gato e rato
Especialistas ouvidos pela Association of Certified Fraud Examiners relatam dificuldade crescente em identificar manipulações, pois as falsificações ficam mais convincentes a cada atualização dos modelos. “Não existe uma única técnica capaz de flagrar todos os casos; é preciso empilhar camadas de verificação”, resumiu Kale.
Enquanto funcionários exploram a facilidade de criar documentos fictícios, desenvolvedores correm para aperfeiçoar sistemas de reconhecimento automático, transformando o combate a fraudes em uma disputa tecnológica contínua.
Com informações de WizyThec

