A morte de Benício Xavier, 3 anos, em Manaus, reacendeu a discussão sobre a aplicação de adrenalina diretamente na corrente sanguínea. O menino recebeu o medicamento por via intravenosa para tratar um problema respiratório, procedimento que, segundo documentos obtidos pela polícia, foi indicado de forma incorreta pela médica responsável. A técnica de enfermagem que realizou a aplicação também prestou depoimento.
Quando a adrenalina é indicada
No Brasil, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classificam a adrenalina — ou epinefrina — como fármaco essencial em emergências. O hormônio é utilizado para reações alérgicas graves (anafilaxia), colapsos cardiovasculares e paradas cardiorrespiratórias. A forma de administração, porém, define o nível de risco:
- Intravenosa: recomendada apenas em situações críticas, com monitorização constante.
- Intramuscular: via preferencial para alergias severas, pois a absorção é mais controlada.
- Nebulização: indicada para dilatar vias aéreas sem impacto significativo no sistema cardiovascular.
Riscos do uso inadequado
Quando injetada diretamente na veia, a adrenalina age instantaneamente, podendo provocar taquicardia extrema, arritmias, falta de ar e colapso circulatório. Crianças são ainda mais vulneráveis, motivo pelo qual doses e vias devem ser rigorosamente ajustadas. A bula oficial alerta para eventos adversos como palidez súbita, aumento intenso dos batimentos cardíacos, dificuldades respiratórias e lesão tecidual em aplicações repetidas.
O caso de Benício
Conforme relato dos pais ao G1, a criança apresentava tosse e suspeita de laringite — condições que, via de regra, não exigem adrenalina intravenosa. Medidas menos invasivas, como nebulização ou medicamentos orais, costumam bastar. A técnica de enfermagem afirmou nunca ter administrado o fármaco pela veia em paciente pediátrico.
Diretrizes oficiais
A Anvisa reforça que a adrenalina injetável deve ser tratada como recurso de emergência, e não solução rotineira para quadros comuns. Documentos do Ministério da Saúde orientam profissionais a seguir parâmetros estritos de dose, via e indicação, especialmente em pediatria, onde pequenas variações podem causar efeitos desproporcionais.
Imagem: Tashatuvango
Potente e de ação rápida, a adrenalina salva vidas quando aplicada corretamente. O erro na escolha da via de administração, contudo, pode transformar um medicamento vital em fator de risco grave.
Com informações de WizyThec

