Uma equipe da Universidade Keio, no Japão, determinou com alta precisão que a temperatura do Universo era consideravelmente maior no passado. Liderados pelo doutorando Tatsuya Kotani e pelo professor Tomoharu Oka, os pesquisadores usaram dados do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile, para medir a radiação cósmica de fundo como ela era aproximadamente sete bilhões de anos atrás.
O estudo, publicado no periódico The Astrophysical Journal, encontrou uma temperatura em torno de 5,13 kelvin — quase o dobro dos atuais 2,7 kelvin observados hoje. Trata-se de uma das determinações mais precisas já obtidas para esse período intermediário da história cósmica.
Como a medição foi feita
Para mirar no passado, a equipe analisou a luz de um quasar cuja jornada até a Terra levou cerca de sete bilhões de anos. Durante o trajeto, esse feixe luminoso interagiu com a radiação cósmica de fundo, deixando marcas sutis no espectro. Com a resolução do ALMA, os cientistas conseguiram detectar essas assinaturas e convertê-las em termômetros naturais da temperatura naquele momento.
O ALMA, composto por 66 antenas instaladas no deserto do Atacama, oferece a sensibilidade necessária para esse tipo de leitura. Ao comparar o valor obtido com previsões do modelo cosmológico padrão, o resultado reforçou a ideia de que o Universo esfria à medida que se expande.
Preenchendo lacunas na história térmica do cosmos
Medições próximas ao Big Bang e no Universo atual são relativamente abundantes, mas dados para eras intermediárias ainda eram escassos. A nova análise ajuda a preencher essa lacuna, reduz as margens de incerteza e fornece apoio observacional à trajetória térmica prevista pela teoria do Big Bang.
Imagem: Jose Luis Stephens Shutterstock
Segundo a equipe japonesa, verificações independentes como essa são fundamentais para manter a cosmologia ancorada em observações, calibrar modelos de formação de estruturas cósmicas e compreender a evolução do Universo.
Com informações de WizyThec

