O Ministério do Interior do Reino Unido admitiu que o sistema nacional de reconhecimento facial utilizado pelas forças policiais apresenta taxas muito maiores de falsos positivos para pessoas negras e asiáticas. A constatação veio após nova rodada de testes conduzida pelo Laboratório Nacional de Física (NPL), que analisou o desempenho do algoritmo em diferentes grupos demográficos.
Erro até 137 vezes maior
De acordo com os resultados, a probabilidade de identificação equivocada é de 0,04% para pessoas brancas, sobe para 4,0% entre asiáticos e atinge 5,5% no caso de negros. O cenário é ainda mais crítico para mulheres negras, que registraram 9,9% de falsos positivos, contra 0,4% observados para homens negros.
A tecnologia compara rostos capturados por câmeras ou imagens de arquivo com bases de dados oficiais, incluindo registros policiais, passaportes e informações de imigração. A Associação de Comissários de Polícia e Crime (APCC) classificou os números como um “viés inerente preocupante” e criticou a falta de salvaguardas na implantação do sistema.
Pressão por transparência
Grupos de direitos civis e especialistas questionam por que o problema, conhecido internamente, não foi comunicado às comunidades afetadas. Charlie Whelton, responsável por políticas da entidade Liberty, afirmou que as estatísticas demonstram “impactos reais e prejudiciais” do uso do reconhecimento facial sem garantias adequadas.
Os testes reacenderam o debate sobre a expansão da tecnologia. Horas antes da divulgação dos resultados, a ministra Sarah Jones havia descrito o recurso como “o maior avanço desde a comparação de DNA”. Já o ex-ministro David Davis criticou a possível instalação de câmeras em shoppings, estádios e estações, declarando “bem-vindos ao Grande Irmão, Grã-Bretanha”.
Imagem: Rawpixel.com
Revisão e novo algoritmo
Para responder às críticas, o governo britânico abriu uma consulta pública de 10 semanas sobre o acesso policial a outras bases de imagens, como passaportes e carteiras de motorista. Além disso, foi adquirido um novo algoritmo, testado de forma independente e considerado sem viés estatisticamente significativo, que deve ser avaliado no início de 2026.
A Inspeção de Polícia e o órgão regulador de ciência forense do Reino Unido também revisarão o uso da ferramenta atual para verificar se as medidas de mitigação funcionam de fato.
Com informações de WizyThec

