A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou nesta semana a avaliação preliminar dos efeitos da sequência de explosões solares que atingiu a Terra entre 9 e 14 de novembro. Em apenas 48 horas, o Sol emitiu três ejeções de massa coronal (CMEs) consecutivas, gerando uma tempestade geomagnética que durou cerca de seis horas.
Apagões de rádio e partículas de alta energia
O episódio mais intenso ocorreu em 11 de novembro, quando uma erupção de classe X5.1 — a mais forte de 2025 — lançou uma CME em direção ao planeta a 1.500 km/s. O pulso eletromagnético causou blecautes de rádio de 30 minutos a uma hora em regiões da Europa, África e Ásia, afetando comunicações aeronáuticas, marítimas e serviços de emergência.
A mesma erupção provocou um Aumento de Nível do Solo (GLE), evento raro registrado apenas 77 vezes desde a década de 1940. Embora não represente perigo direto para quem está em terra, o fenômeno pode interferir em satélites, aviões e equipamentos eletrônicos sensíveis.
Satélites e estação espacial em alerta
Segundo a ESA, seus satélites não sofreram danos significativos graças a projetos que já consideram picos de radiação. Dados coletados pelos sensores de bordo agora são usados para refinar modelos de previsão de clima espacial.
Os três satélites da constelação Swarm mediram flutuações magnéticas até dez vezes acima do normal e registraram influxo de prótons de alta energia nos polos, gerando auroras de prótons observadas em latitudes atípicas. Fora da proteção do campo magnético, a sonda BepiColombo recebeu uma das maiores doses de partículas energéticas desde o lançamento e apresentou erros de memória temporários, corrigidos automaticamente.
Na Estação Espacial Internacional, astronautas acionaram protocolos de proteção para reduzir a exposição à radiação, seguindo o princípio ALARA (tão baixo quanto razoavelmente alcançável).
Imagem: NOAA
Monitoramento contínuo e novas missões
A ESA planeja ampliar a vigilância solar com a missão Vigília, prevista para 2031 no ponto de Lagrange 5, e estuda a proposta SHIELD, que poderia fornecer alertas com mais de duas horas de antecedência a sistemas críticos de energia, telecomunicações e aviação.
Para missões além da órbita terrestre, a agência investiga materiais de blindagem — inclusive regolito lunar — e efeitos biológicos da radiação, visando proteger futuras tripulações e cargas eletrônicas.
Apesar da força das erupções recentes, a tempestade geomagnética gerou impactos inferiores aos temidos graças ao campo magnético terrestre e a projetos de satélites resistentes. O evento, contudo, reforça a importância de aperfeiçoar sistemas de previsão para reduzir riscos em períodos de máximo solar.
Com informações de WizyThec

