Pesquisadores das universidades Colgate (Nova York) e do Texas, em Austin, apontam que quatro objetos extremamente distantes observados pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) apresentam características compatíveis com as chamadas estrelas escuras supermassivas — estruturas hipotéticas alimentadas por matéria escura, e não pela fusão nuclear convencional.
Quem, onde e quando
O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, analisou espectros e morfologia de quatro alvos situados a cerca de 300 milhões de anos após o Big Bang. Os objetos são identificados como JADES-GS-z14-0, JADES-GS-z14-1, JADES-GS-13-0 e JADES-GS-z11-0.
Como funcionariam as estrelas escuras
Segundo a equipe liderada por Cosmin Ilie, essas estrelas seriam nuvens gigantes, mas de baixa densidade, compostas basicamente de hidrogênio e hélio. Pequenas quantidades de matéria escura autodestrutiva dentro dessas nuvens impediriam o colapso gravitacional, mantendo-as estáveis e extremamente luminosas.
Principais resultados
- Os quatro objetos analisados exibem espectros e tamanhos que se ajustam aos modelos de estrelas escuras supermassivas.
- Três deles são altamente compactos e podem ser descritos como estrelas escuras cercadas por nebulosas de gás ionizado.
- Pelas estimativas, cada uma dessas estrelas pesaria cerca de 1 milhão de massas solares.
Implicações astronômicas
As estrelas escuras podem explicar dois enigmas recentes: a presença de galáxias muito brilhantes e compactas observadas pelo JWST e a origem dos buracos negros supermassivos que alimentam quasares distantes. Katherine Freese, coautora da pesquisa, destaca que essas candidatas “ensinam sobre matéria escura e podem ser precursoras dos primeiros buracos negros supermassivos”.
Contexto da teoria
A ideia de estrelas escuras foi proposta em 2008 por Doug Spolyar, Paolo Gondolo e Katherine Freese. Em 2010, os mesmos autores identificaram mecanismos capazes de torná-las supermassivas, fornecendo as sementes dos buracos negros gigantes do Universo primitivo.
Imagem: NASA
Próximos passos
Se confirmada, a descoberta abrirá caminho para investigar partículas de matéria escura, como as Partículas Massivas de Interação Fraca (WIMPs). A formação dessas estrelas seria favorecida nos primeiros centenas de milhões de anos após o Big Bang, especialmente nos centros dos halos de matéria escura onde surgiram as primeiras estrelas.
Os pesquisadores planejam novas observações e modelagens para verificar se esses quatro objetos são, de fato, estrelas escuras supermassivas ou galáxias jovens incomuns.
Com informações de WizyThec

