Tagatose: o adoçante de baixa caloria desenvolvido com tecnologia da NASA que ficou longe das gôndolas

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A Agência Espacial Norte-Americana (NASA) chegou a financiar pesquisas que resultaram no desenvolvimento da tagatose, um açúcar raro com sabor muito próximo ao da sacarose, mas com apenas 1,5 caloria por grama — pouco mais de um terço do valor calórico do açúcar tradicional. Mesmo aprovado por autoridades de saúde dos Estados Unidos e da Europa, o produto jamais se popularizou no varejo.

Do espaço para a mesa

A tagatose ganhou impulso no Spinoff, programa de transferência de tecnologia da NASA criado para adaptar descobertas voltadas ao espaço a aplicações cotidianas. Estável, segura e de impacto metabólico reduzido, a molécula interessava às missões de longa duração e, posteriormente, à indústria alimentícia.

Como funciona

Quimicamente, trata-se de um isômero da galactose. Cerca de 20 % do composto é absorvido no intestino delgado; o restante segue para o cólon, onde é fermentado por bactérias. Esse percurso explica o baixo índice glicêmico e o efeito prebiótico observado em estudos. Além disso, a substância não serve de alimento para micro-organismos que causam cáries.

Vantagens em relação ao açúcar comum

  • Poder adoçante de aproximadamente 90 % da sacarose;
  • Reduzido impacto na glicemia, útil para pessoas com diabetes;
  • Menor risco de cáries;
  • Potencial prebiótico no trato intestinal.

Por que não decolou

Vários fatores impediram que a tagatose chegasse ao grande público:

Custo de produção – Para obtê-la em escala industrial é necessário converter lactose via processos enzimáticos complexos, ainda caros quando comparados ao açúcar refinado produzido em massa a partir de cana-de-açúcar ou beterraba.

Demora regulatória – Embora o FDA nos Estados Unidos e entidades europeias tenham classificado o ingrediente como seguro, os trâmites consumiram tempo e recursos, retardando a entrada no mercado.

Efeitos gastrointestinais – Consumo elevado pode gerar gases e desconforto abdominal, resultado da fermentação da porção não absorvida no intestino.

Concorrência consolidada – Quando a tagatose ficou pronta para testes comerciais, adoçantes como sucralose (aprovada em 1998) e stevia (popularizada nos anos 2000) já dominavam o segmento com preços mais baixos.

Percepção do consumidor – Produtos obtidos por biotecnologia ainda enfrentam resistência de parte do público, que costuma preferir opções rotuladas como “naturais”.

Cenário atual

Hoje, a tagatose permanece restrita a nichos de mercado e aplicações específicas, principalmente em produtos direcionados a dietas com controle de glicose. Os altos custos e a forte concorrência, contudo, continuam limitando a expansão do adoçante criado com tecnologia da NASA.

Com informações de WizyThec

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