São Francisco (EUA) – A Reflect Orbital, startup sediada na Califórnia, pretende lançar uma rede de satélites equipados com espelhos de Mylar para redirecionar a luz do Sol a áreas específicas da Terra após o anoitecer. O primeiro protótipo, batizado de Earendil-1, com 18 metros de diâmetro, tem lançamento previsto para 2026, caso receba autorização da Federal Communications Commission (FCC).
Meta de 4 mil satélites até 2030
O projeto prevê colocar cerca de 4 000 satélites em órbita baixa até o fim da década, a aproximadamente 625 km de altitude. A longo prazo, a constelação poderia chegar a 250 000 unidades, cada uma com espelhos de até 54 metros, segundo estimativas citadas pelo portal The Conversation.
Luminosidade superior à Lua cheia
Mesmo refletindo uma luz 15 000 vezes mais fraca que a radiação solar ao meio-dia, cada satélite poderá parecer mais brilhante que a Lua cheia. Astrônomos alertam que essa intensidade ameaça observações científicas, pois pode ofuscar estrelas e galáxias tênues e até danificar telescópios sensíveis, como o Observatório Vera C. Rubin.
Riscos ambientais e operacionais
Especialistas temem que a iluminação artificial constante altere hábitos de animais noturnos e desestabilize ecossistemas. Há ainda dúvidas sobre a viabilidade técnica: satélites em órbita baixa permanecem sobre o mesmo ponto da Terra por cerca de 3,5 minutos, exigindo um grande número de unidades para garantir luz contínua. Mesmo uma frota de 250 000 satélites forneceria, segundo cálculos, apenas 20 % da luminosidade de meio-dia a áreas limitadas.
Superlotação orbital
O espaço próximo à Terra já registra aumento acelerado de artefatos: somente em 2024, foram lançados quase 2,7 mil satélites, impulsionados por megaconstelações privadas. Pesquisas da Sociedade Astronômica Americana indicam que a maioria dos cientistas considera o novo projeto prejudicial à astronomia.
Imagem: Reflect Orbital
Controle e transparência prometidos
A Reflect Orbital afirma que o redirecionamento de luz será previsível e que disponibilizará dados de posicionamento para evitar interferências em observatórios. Mesmo assim, a iniciativa segue cercada de controvérsias e depende da aprovação regulatória para avançar.
Com informações de WizyThec

