Uma investigação publicada na revista Communications Earth & Environment aponta que uma seca que perdurou por séculos foi o principal motor das profundas mudanças sociais ocorridas na Ilha de Páscoa (Rapa Nui) a partir de cerca de 1550, contestando a tese de que o declínio local se deu por um ecocídio provocado por má gestão ambiental.
A equipe liderada por Redmond Stein, do Lamont-Doherty Earth Observatory, analisou sedimentos coletados em duas fontes de água doce — Rano Aroi e Rano Kao — e reconstruiu um histórico de 800 anos de precipitação por meio da composição isotópica de ceras foliares preservadas.
Queda drástica nas chuvas
Os dados indicam uma redução anual de aproximadamente 600 a 800 mm em relação aos três séculos anteriores, tendência que permaneceu por mais de um século. Segundo Stein, esse método isotópico oferece um termômetro direto da aridez, sem interferência de variáveis que afetam técnicas anteriores.
Impactos na organização social
A escassez de chuva coincidiu com:
- Declínio na construção das plataformas cerimoniais ahu;
- Transformação do lago Rano Kao em importante centro ritual;
- Ascensão do Tangata Manu, sistema hierárquico baseado em competições atléticas.
Stein ressalta que não há evidências sólidas de colapso demográfico antes da chegada dos europeus, reforçando que o clima oferece contexto decisivo para compreender as respostas humanas em Rapa Nui.
Imagem: NATHAP PANGJAI
Os resultados sugerem, portanto, que a história da ilha é mais complexa do que se supunha, com variações climáticas exercendo papel central na transformação cultural registrada a partir do século XVI.
Com informações de WizyThec

