Sapos vivos eram usados na Rússia e na Finlândia para preservar leite antes da chegada das geladeiras

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Antes que as geladeiras se tornassem comuns, moradores de áreas rurais da Rússia e da Finlândia lançavam mão de um método inusitado para evitar que o leite azedasse: colocavam sapos vivos dentro dos recipientes. A prática, que pode soar folclórica, tinha fundamento científico e perdurou até meados do século XX.

Peptídeos antibióticos na pele

Estudos indicam que a pele de algumas espécies de sapos libera peptídeos com forte ação antibacteriana e antifúngica. Em 2010, pesquisadores identificaram mais de 100 substâncias desse tipo em anfíbios, capazes de inibir micro-organismos responsáveis pelo azedamento do leite.

A espécie mais empregada era a Rana temporaria, comum na Eurásia. Levantamento da Universidade de Moscou listou 97 compostos antibióticos presentes nesse sapo, alguns eficazes contra bactérias como Salmonella e Staphylococcus. Ao ser colocado no leite, o animal liberava secreções que retardavam a fermentação do produto.

De método rural a curiosidade histórica

O uso de sapos era recorrente em regiões com acesso limitado a técnicas modernas de conservação. Já as primeiras geladeiras domésticas começaram a se popularizar entre famílias de maior poder aquisitivo na década de 1940, reduzindo gradualmente a necessidade de estratégias alternativas.

A refrigeração desacelera a multiplicação de bactérias, mas não elimina completamente o risco de contaminação. Mesmo assim, os avanços tecnológicos tornaram o antigo costume obsoleto e, hoje, a prática é desaconselhada: algumas espécies podem conter toxinas perigosas ou transmitir doenças.

Potencial farmacêutico

Embora o hábito tenha ficado no passado, o interesse científico pelos peptídeos encontrados nos sapos persiste. Pesquisadores trabalham para sintetizar essas moléculas em laboratório, na busca por novos antibióticos que possam combater patógenos resistentes.

Enquanto a extração segura desses compostos ainda representa desafio, a “geladeira viva” permanece como exemplo de como conhecimentos tradicionais podem inspirar investigações biomédicas contemporâneas.

Com informações de WizyThec

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