Um artigo publicado na revista Acta Astronautica avalia se a tradicional chuva de meteoros Táuridas, conhecida pelas “bolas de fogo” que costumam iluminar o céu durante o Halloween, pode conter fragmentos grandes o suficiente para oferecer perigo de impacto à Terra.
Enxames ressonantes podem concentrar detritos
O trabalho, liderado pelo professor Mark Boslough, da Universidade do Novo México (UNM), analisou a possibilidade de existência de enxames ressonantes – aglomerações formadas pela influência gravitacional de Júpiter que concentram pedaços do cometa Encke, responsável pela chuva Táuridas. Esses agrupamentos aumentariam a densidade de detritos no caminho do planeta.
Segundo os pesquisadores, a Terra deve atravessar regiões potencialmente mais densas do fluxo em 2032 e 2036, elevando a probabilidade de colisões com objetos próximos da Terra (NEOs). A maior parte desses corpos se desfaz na atmosfera, gerando rastros luminosos; porém, fragmentos maiores podem causar explosões aéreas semelhantes às registradas em Chelyabinsk (2013) e Tunguska (1908).
Modelos e evidências indiretas
A equipe combinou observações recentes a modelos teóricos para estimar a densidade do possível enxame. Entre as evidências indiretas citadas estão bolas de fogo extremamente brilhantes e impactos registrados na superfície lunar. Telescópios terrestres deverão monitorar o fluxo nos anos de maior risco para verificar a existência e o tamanho dos objetos.
Monitoramento e preparação
A pesquisa destaca que, mesmo com um enxame concentrado, a chance de impacto direto permanece baixa. Instrumentos como o telescópio infravermelho NEO Surveyor poderão detectar asteroides com antecedência suficiente para permitir eventuais ações de mitigação.
Imagem: Ankush Magotra
Desinformação e orientações de segurança
O estudo também alerta para boatos que circulam em redes sociais, muitas vezes superestimando a ameaça de catástrofes globais ligadas às Táuridas. Boslough lembra que, em Chelyabinsk, a maioria dos ferimentos ocorreu quando pessoas se aproximaram de janelas após verem o clarão. A orientação é manter distância de vidros e não olhar diretamente para eventuais explosões luminosas.
Para os interessados apenas no espetáculo celeste, a chuva atinge o pico entre o fim de outubro e o início de novembro, com melhor visualização após as 2h da madrugada, quando a constelação de Touro está mais alta no horizonte.
Com informações de WizyThec

