Um estudo em fase de pré-publicação apresentou o Crash Clock, indicador que calcula quanto tempo levaria para ocorrer a primeira colisão catastrófica na órbita baixa da Terra se todos os satélites deixassem, de repente, de executar manobras de desvio. O resultado atual é alarmante: 2,8 dias.
Como o Crash Clock funciona
Desenvolvido por pesquisadores que publicaram o trabalho no repositório científico arXiv, o relógio analisa catálogos completos de objetos em órbita — satélites ativos, artefatos inativos e fragmentos de detritos — e executa simulações nas quais nenhuma tentativa de evitar impactos é considerada. O objetivo é responder de forma direta: “Em quanto tempo ocorreria a primeira colisão grave nesse cenário extremo?”.
Segurança encolheu em poucos anos
Em 2018, antes da expansão acelerada de megaconstelações, a estimativa era de 121 dias até o primeiro choque. Cinco anos depois, a margem caiu para menos de uma semana, evidenciando a maior fragilidade do ambiente orbital.
Fatores de risco
Atualmente, a órbita baixa abriga cerca de 13 mil satélites ativos e mais de 43 mil fragmentos rastreáveis. Operadores realizam manobras frequentes para evitar colisões — apenas a constelação Starlink executou dezenas de milhares de ajustes em poucos meses.
Os pesquisadores alertam que eventos extremos, como tempestades solares semelhantes ao Evento Carrington, podem expandir a atmosfera superior e alterar trajetórias, tornando o rastreamento menos preciso. Em um ambiente já congestionado, uma falha ampla poderia iniciar uma reação em cadeia de impactos, conhecida como síndrome de Kessler.
Imagem: Pedro Spadi via ChatGPT
O trabalho ainda precisa passar por revisão por pares, mas os autores defendem que o resultado de 2,8 dias reforça a urgência de medidas para garantir a sustentabilidade do uso do espaço.
Com informações de WizyThec

