Rascunho da carta final da COP30 pede cronograma para eliminar combustíveis fósseis e ampliar financiamento climático

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O rascunho da declaração final da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), divulgado nesta quarta-feira, 19 de novembro, reúne recomendações voltadas a conter o aquecimento global em 1,5 °C e aponta a necessidade de um acordo que coloque o planeta na rota de emissões líquidas zero até 2050.

Eliminação progressiva de combustíveis fósseis

O documento reforça que a meta estipulada no Acordo de Paris, de 2015, “ainda está viva”, mas depende de cronogramas claros para redução da produção e do consumo de combustíveis fósseis. Entre as diretrizes estão:

  • eliminação progressiva do carvão;
  • cortes substanciais no uso de petróleo e gás;
  • mecanismos de cooperação internacional para assegurar transição justa em regiões dependentes dessas cadeias.

Financiamento e justiça climática

O texto afirma que o sucesso das metas climáticas exige “financiamento previsível e suficiente”. Para isso, destaca:

  • fortalecimento do Fundo de Perdas e Danos, garantindo acesso rápido e simplificado a comunidades afetadas por secas, enchentes e outros desastres;
  • prioridade à ampliação do financiamento climático para adaptação, mitigação, perdas e danos;
  • apoio a iniciativas lideradas por povos indígenas e comunidades locais.

Adaptação em pé de igualdade com mitigação

O rascunho pede que a adaptação climática tenha o mesmo peso político da mitigação e sugere a criação de um quadro global robusto, com métricas claras para acompanhar o progresso. As políticas devem priorizar regiões vulneráveis e incorporar conhecimentos tradicionais.

Participação de povos tradicionais

O documento propõe ampliar a participação de povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais nos espaços formais da ONU e reforça que a consulta livre, prévia e informada é princípio inegociável.

Transição energética e comércio internacional

Para viabilizar uma transição energética justa, o rascunho recomenda:

  • expansão de investimentos em energias renováveis, redes de transmissão e sistemas descentralizados, especialmente na Amazônia;
  • apoio a trabalhadores e territórios dependentes da cadeia fóssil para evitar agravamento das desigualdades;
  • maior coerência entre a agenda de comércio internacional, clima e biodiversidade, garantindo que fluxos comerciais não incentivem desmatamento ou violações socioambientais;
  • facilitação do acesso de países em desenvolvimento a mercados sustentáveis e tecnologias limpas.

Outros temas em destaque

A proposta também abrange sistemas alimentares, agricultura sustentável, restauração ecológica, soluções baseadas na natureza e financiamento verde. Segundo o texto, a COP30 deve demonstrar a capacidade do multilateralismo em responder à emergência climática e transformar compromissos em políticas públicas concretas.

Por fim, o rascunho avalia que Belém (PA), sede da conferência, pode marcar uma “virada de página” para o regime climático global, simbolizando a importância da floresta amazônica e da participação popular na luta contra a mudança do clima.

Com informações de WizyThec

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