A corrida pela inteligência artificial geral (AGI) permanece no centro das atenções do setor de tecnologia desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022. Para o neurocientista e futurista Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a chegada a um sistema que supere a capacidade humana é certa; a dúvida recai apenas sobre quando isso ocorrerá.
Disputas conceituais sobre a AGI
Diversas organizações apresentam definições próprias para a AGI. A OpenAI caracteriza o objetivo como um sistema que ultrapasse o desempenho humano na maioria das tarefas economicamente relevantes. A DeepMind, do Google, enfatiza a versatilidade para aprender novas habilidades com poucos recursos. Já a ARC Prize Foundation defende que o ponto central é adquirir novas competências fora do treinamento principal.
Termos alternativos também ganham espaço. Dario Amodei, da Anthropic, prefere “IA poderosa”, enquanto Mustafa Suleyman, da Microsoft, fala em “IA capaz”. Meta e OpenAI passaram a usar “superinteligência artificial” para descrever sistemas ainda mais avançados que a AGI.
Ceticismo e obstáculos técnicos
Apesar do investimento das big techs, parte da comunidade científica questiona se os atuais grandes modelos de linguagem são suficientes. Pesquisa divulgada em março pelo Painel Presidencial da AAAI concluiu que apenas escalar a tecnologia existente não basta. O cientista-chefe de IA da Meta, Yann LeCun, reforça que esses modelos não planejam antes de agir nem executam tarefas no mundo real.
Álvaro Dias observa que as ferramentas disponíveis não mantêm 80% de acurácia em tarefas de escritório por mais de 20 minutos e afirma que a adoção corporativa estagnou nos últimos meses. Por outro lado, ele aponta redução nas alucinações dos sistemas, sinal de progresso contínuo.
Previsões divergentes
O professor da Unifesp cita dois extremos no debate: de um lado, quem teme impacto social sem políticas públicas adequadas; de outro, céticos como Gary Marcus, da Universidade de Nova York, que classificam os grandes modelos de linguagem como “fracasso”.
Imagem: Teacher
Estimativas recentes permanecem distantes de consenso. O cofundador da OpenAI, Andrej Karpathy, calcula que tecnologias super-humanas só surjam entre 2035 e 2024. Sam Altman, CEO da mesma empresa, falou em “alguns milhares de dias” até uma superinteligência. A Anthropic vê 2026 como possível para uma “IA poderosa”, enquanto Demis Hassabis, da DeepMind, projeta de cinco a dez anos. Meta e Alibaba também estipularam a AGI como meta futura.
Impactos antes da AGI
Embora enxergue a superinteligência ainda distante, Álvaro Dias ressalta que a inteligência artificial generativa já altera rotinas de trabalho e aprendizagem. O ChatGPT exemplifica essa influência, mesmo sem alcançar o patamar de uma AGI.
O debate segue aberto, mas a corrida tecnológica continua a mobilizar pesquisadores, empresas e governos em busca da próxima grande evolução da inteligência artificial.
Com informações de WizyThec

