O transplante de órgãos é considerado um procedimento vital para milhares de pacientes, mas pode apresentar complicações que variam de leves a graves. O Brasil, que possui o maior sistema público de transplantes do planeta, realiza todo o processo — exames, cirurgia e medicamentos pós-operatórios — de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A seguir, veja os riscos mais conhecidos e alguns episódios registrados no país.
Rejeição do órgão
A rejeição ocorre quando o sistema imunológico do receptor identifica o órgão transplantado como corpo estranho. Ela pode se manifestar logo após a cirurgia (rejeição aguda) ou anos depois (rejeição crônica). Entre os sintomas estão calafrios, febre, fadiga, náuseas e oscilações na pressão arterial.
Infecções pós-cirúrgicas
Assim como em qualquer cirurgia, existe a possibilidade de infecção no local operado ou no órgão implantado. Pacientes que usam imunossupressores também ficam mais suscetíveis a pneumonia, infecções urinárias e contaminações por vírus, fungos, bactérias ou parasitas. Medicamentos antimicrobianos são prescritos para reduzir esses riscos.
Transmissão de câncer
Em 2024, o paulistano Geraldo Vaz Junior, de 58 anos, desenvolveu um câncer no fígado meses depois de receber um órgão. Exames de DNA mostraram que as células malignas eram do próprio doador. Embora todo potencial doador passe por triagens clínica, de imagem e laboratorial, células tumorais microscópicas podem não ser detectadas, tornando a transmissão oncológica um evento raro, mas possível.
Contaminação por HIV
Seis pacientes no Rio de Janeiro contraíram HIV em 2024 após receberem órgãos de dois doadores que haviam tido resultado falso-negativo em um laboratório privado da Baixada Fluminense. A falha é atribuída a erro laboratorial ou ao período de janela imunológica — intervalo de duas a três semanas entre a exposição ao vírus e sua detecção em testes de anticorpos. Casos desse tipo são considerados extremamente incomuns.
Imagem: Inside Creative House
Doença do enxerto contra o hospedeiro
Essa complicação, mais comum em transplantes de células-tronco e, ocasionalmente, em transplantes de fígado e intestino delgado, acontece quando glóbulos brancos do doador atacam tecidos do receptor. Os sintomas incluem erupções cutâneas, icterícia, febre, dores abdominais, diarreia, vômitos, perda de peso e maior vulnerabilidade a infecções. O quadro pode ser fatal, mas há tratamentos disponíveis.
Apesar dessas possibilidades, especialistas destacam que os benefícios do transplante superam os riscos na maioria dos casos. Protocolos rigorosos e avanços médicos ajudam a reduzir significativamente as complicações.
Com informações de WizyThec

