Pesquisadores da Universidade de Tóquio anunciaram ter identificado um sinal que pode representar a primeira evidência direta de matéria escura, substância invisível que corresponde a cerca de 85% da matéria do Universo. O achado, divulgado nesta terça-feira (26/11), baseia-se em observações do telescópio espacial de raios gama Fermi, da NASA.
Halo de 20 GeV no núcleo galáctico
O grupo liderado pelo astrofísico Tomonori Totani examinou a região central da Via Láctea — área onde se espera a maior concentração de matéria escura da galáxia — e detectou raios gama com energia de 20 gigaeletronvolts (GeV) distribuídos em formato de halo ao redor do núcleo. Segundo Totani, a geometria dessa emissão coincide com previsões teóricas para a distribuição de matéria escura.
A hipótese avaliada pela equipe é que partículas de matéria escura colidem e se aniquilam, gerando radiação gama nessa faixa específica de energia. O valor observado de 20 GeV corresponde ao sinal esperado para a aniquilação de WIMPs (Partículas Massivas de Interação Fraca) com massa estimada em 500 vezes a de um próton, principais candidatas a compor a matéria escura.
Marco na busca por 85% da matéria do cosmos
Desde que Fritz Zwicky apontou, em 1933, a existência de massa invisível em aglomerados de galáxias, e Vera Rubin reforçou o enigma nos anos 1970 ao medir a rotação de galáxias espirais, cientistas tentam detectar diretamente essa componente oculta do Universo. Se confirmada, a observação japonesa representará um avanço histórico tanto para a astrofísica quanto para a física de partículas.
Imagem: Tomori Totani Universidade de Tóquio
A pesquisa foi publicada no Journal of Cosmology and Astroparticle Physics. Totani ressalta que serão necessários mais dados para comprovar definitivamente a descoberta, mas destaca que o resultado já abre caminho para compreender a natureza dos 85% de matéria que permanecem invisíveis aos instrumentos tradicionais.
Com informações de WizyThec

