Cientistas da Universidade de Tel Aviv, em Israel, registraram sons emitidos por plantas submetidas a condições de estresse hídrico ou físico. Os ruídos, inaudíveis ao ouvido humano por estarem entre 20 kHz e 100 kHz, foram captados em um experimento com pés de tabaco e tomate dentro de caixas acústicas vedadas.
Como o experimento foi conduzido
As plantas foram colocadas em câmaras à prova de som equipadas com microfones ultrassônicos de alta sensibilidade, tecnologia normalmente necessária para ouvir morcegos ou roedores. Esse ambiente controlado permitiu detectar cliques curtos e rápidos produzidos pelos vegetais sempre que passavam por situações adversas.
O que desencadeia os ruídos
Os pesquisadores identificaram quatro principais gatilhos para os “gritos”:
- Falta de água – desidratação severa gera séries de estalos sucessivos;
- Corte do caule – o rompimento imediato provoca um padrão distinto de som;
- Infecções por pragas ou doenças – altera a frequência das emissões;
- Estresse intenso – quanto maior o dano, mais frequentes são os ruídos.
Frequência das emissões
Os cliques variam conforme o estado fisiológico:
- Planta saudável: menos de um som por hora;
- Desidratada: 30 a 50 sons por hora;
- Cortada: picos sonoros logo após o ferimento.
Possível origem física
A equipe sugere que o fenômeno decorre da cavitação – formação e colapso de microbolhas de ar no xilema (vasos condutores de água). Quando a tensão interna aumenta, as bolhas estouram e geram os cliques ultrassônicos detectados.
Análise por inteligência artificial
Algoritmos de aprendizado de máquina foram treinados para reconhecer os padrões do som e apontar se a planta estava com sede, ferida ou em condição normal, apenas “ouvindo” as gravações.
Imagem: inteligência artificial
Implicações
Como insetos, entre eles mariposas, conseguem captar frequências nessa faixa, o som pode influenciar a interação entre espécies. Além disso, a descoberta abre caminho para sistemas de agricultura de precisão capazes de irrigar apenas plantas que “pedem” água por meio desses ruídos.
O estudo reforça que o reino vegetal possui uma forma de sinalização acústica ligada diretamente ao seu estado fisiológico, funcionando como um alerta biológico para o ambiente ao redor.
Com informações de WizyThec

