Companhias estatais de petróleo do Golfo Pérsico estão direcionando parte de seus lucros para acelerar o desenvolvimento de inteligência artificial (IA) na região. A saudita Aramco e a emiradense Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc) tornaram-se financiadoras estratégicas de projetos de IA, reforçando a meta de Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos de se posicionarem entre os principais polos globais da tecnologia.
Participações e parcerias
Segundo reportagem da Bloomberg, a Aramco adquiriu recentemente uma participação minoritária considerada significativa na Humain, empresa de IA vinculada ao Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita.
Nos Emirados Árabes Unidos, a Adnoc fundou e detém 49% da AIQ, companhia que utiliza supercomputadores para criar aplicações de IA voltadas ao setor de energia. Os 51% restantes pertencem a uma empresa do portfólio do grupo G42, presidido pelo xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, responsável por um conglomerado estimado em US$ 1,5 trilhão que engloba dois fundos soberanos.
Capital do petróleo a serviço da tecnologia
A estratégia das petroleiras envolve aproveitar o fluxo de caixa robusto gerado pela exportação de combustíveis fósseis para financiar iniciativas de IA consideradas de alto risco. De acordo com a pesquisadora Georgia Adamson, do Institute for Progress, o montante disponível permite a Aramco e Adnoc fazer “apostas extremamente ousadas” no setor.
Na prática, os investimentos já trazem retorno operacional. A Aramco estima ter economizado cerca de US$ 6 bilhões nos últimos dois anos graças a soluções baseadas em IA e planeja aplicar mais US$ 2 bilhões em sua divisão digital até 2027.
Ambição regional
A Arábia Saudita declara abertamente a intenção de se tornar o terceiro maior provedor de infraestrutura de IA do planeta, atrás apenas de Estados Unidos e China. O financiamento proveniente do petróleo é apontado pelo governo como ferramenta central para concretizar o objetivo.
Imagem: Maksim Safaniuk
A Adnoc, por sua vez, avalia que a colaboração com a AIQ reforça a competitividade global da empresa ao incorporar algoritmos avançados em áreas como otimização de produção, manutenção preditiva e segurança operacional.
Os movimentos de Aramco e Adnoc indicam que a receita do petróleo continuará alimentando a expansão de tecnologias de IA no Golfo, ao mesmo tempo em que transforma as próprias estatais em grandes usuárias e promotoras dessas soluções.
Com informações de WizyThec

