A Oxitec colocou em operação, em Campinas (SP), o que classifica como a maior e mais avançada fábrica de mosquitos do planeta, dedicada a reduzir a incidência de dengue, zika e chikungunya no Brasil e em outros países endêmicos.
Inaugurada nesta semana, a unidade tem capacidade para produzir até 190 milhões de ovos de mosquitos com a bactéria Wolbachia por semana, quantidade suficiente para proteger aproximadamente 100 milhões de pessoas ao longo de um ano, segundo a empresa.
Resposta a demanda global
O complexo surge como resposta ao apelo da Organização Mundial da Saúde (OMS) por ferramentas inovadoras de controle de vetores. No Brasil, a necessidade é urgente: o país registrou 1.179 mortes por dengue em 2024, recorde histórico apontado pelo Ministério da Saúde.
“Com a nova estrutura, conseguimos atender rapidamente à expansão do projeto Wolbachia do Ministério da Saúde, levando a tecnologia a comunidades de forma econômica”, afirmou Natalia Verza Ferreira, diretora-executiva da Oxitec Brasil, durante a inauguração.
Duas tecnologias em escala industrial
- Wolbachia: método destinado a campanhas públicas em larga escala; a bactéria presente em diferentes insetos reduz a capacidade do Aedes aegypti de transmitir vírus. Estudos pilotos mostraram redução superior a 75% na transmissão da dengue. A estratégia é reconhecida pela OMS e integra o Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD).
- Aedes do Bem: voltado a intervenções pontuais, aplicáveis por empresas ou moradores em áreas críticas. Ensaios apontam queda de mais de 95% na população local de mosquitos.
Ambos os métodos consistem na liberação de mosquitos criados em laboratório em zonas urbanas, substituindo ou suprimindo populações capazes de disseminar doenças.
Nova referência de produção
Até agora, o título de maior fábrica pertencia à Wolbito do Brasil, com capacidade de 100 milhões de ovos semanais. A nova planta da Oxitec praticamente dobra esse volume e ainda produz os ovos da linha Aedes do Bem.
Imagem: Divulgação
A empresa aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a distribuição em larga escala. “Trabalhamos junto ao Ministério, municípios e órgão regulador para viabilizar o acesso à tecnologia”, declarou o secretário adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente, Fabiano Pimenta, presente ao evento.
A Fiocruz mantém, paralelamente, projetos com Wolbachia há mais de uma década em cidades com altos índices de dengue, complementando os esforços nacionais de controle do Aedes aegypti.
A nova fábrica amplia a capacidade brasileira de produção de mosquitos benéficos e reforça o arsenal de combate a arboviroses, num momento em que o país busca soluções escaláveis e de baixo custo para enfrentar surtos recorrentes.
Com informações de WizyThec

