Astrônomos detectaram o menor aglomerado de matéria escura já observado no Universo, estimado em cerca de um milhão de massas solares. A estrutura, invisível a qualquer telescópio convencional, foi revelada pela sutil deformação que provocou na luz de uma galáxia situada a bilhões de anos-luz da Terra.
A descoberta foi possível graças a uma rede global de radiotelescópios que opera por Interferometria de Linha de Base Muito Longa (VLBI). Combinando instrumentos como o Green Bank Telescope, o VLBA e a rede europeia EVN, os pesquisadores obtiveram resolução capaz de distinguir detalhes de milésimos de segundo de arco — equivalente a identificar uma moeda em outro continente.
Gravidade como lente
O fenômeno analisado ocorreu no sistema JVAS B1938+666, onde uma galáxia elíptica massiva atua como lente gravitacional e distorce a luz de um objeto ainda mais distante. Um pequeno desvio no fino arco luminoso indicou a presença do novo aglomerado escuro, demasiado leve para ser visto, mas suficientemente denso para alterar o trajeto dos fótons.
Ao incluir essa massa adicional nos modelos, os cientistas reproduziram com precisão o formato observado no arco gravitacional, alcançando um nível de confiança raro em observações desse tipo. É a primeira vez que uma estrutura mil vezes menos massiva que uma galáxia típica é identificada em escala cosmológica; feitos semelhantes haviam ocorrido somente nas proximidades da Via Láctea.
Impulso para os modelos de matéria escura
O achado, detalhado simultaneamente nas revistas Nature Astronomy e Monthly Notices of the Royal Astronomical Society na quinta-feira (9), reforça o modelo de Matéria Escura Fria (ΛCDM), que prevê a existência de halos invisíveis de diversos tamanhos responsáveis pela formação de galáxias. No entanto, a densidade do objeto supera valores previstos por simulações, levantando a possibilidade de alternativas, como a matéria escura auto-interagente.
Imagem: NASA ESA CSA STScI Vicente Estrada-Carpenter Saint Marys University
Em 2012, o mesmo sistema cósmico ajudou a revelar outro aglomerado escuro cem vezes mais massivo. A repetição dos resultados aponta o JVAS B1938+666 como laboratório natural para investigar a distribuição de pequenos halos em galáxias distantes.
O próximo passo da equipe é localizar mais exemplos semelhantes. Cada nova detecção permitirá comparar densidade e frequência desses objetos, testando se o comportamento do Universo segue as previsões vigentes ou se há fenômenos ainda não contemplados pelos modelos teóricos.
Com informações de WizyThec

