A Nvidia firmou um acordo para adquirir a maior parte dos ativos da Groq, startup norte-americana que desenvolve aceleradores de inteligência artificial de alta performance, por aproximadamente US$ 20 bilhões (R$ 110,4 bilhões). A informação foi confirmada à rede CNBC por Alex Davis, presidente da gestora Disruptive, principal investidora da Groq.
Segundo Davis, a negociação foi concluída em curto prazo. Apenas três meses antes, a Groq havia levantado US$ 750 milhões (R$ 4,1 bilhões) em uma rodada que avaliou a companhia em cerca de US$ 6,9 bilhões (R$ 38 bilhões), com participação de BlackRock, Neuberger Berman, Samsung, Cisco, Altimeter e 1789 Capital.
Licenciamento e mudanças na liderança
Paralelamente à transação, a Groq anunciou um acordo de licenciamento não exclusivo que autoriza a Nvidia a utilizar sua tecnologia de inferência. O valor desse licenciamento não foi divulgado.
Como parte do acerto, o fundador e CEO da Groq, Jonathan Ross, o presidente Sunny Madra e outros executivos seniores migrarão para a Nvidia para ajudar na expansão da tecnologia licenciada. A Groq seguirá operando de forma independente, agora sob comando de Simon Edwards, até então diretor financeiro.
Exclusão do GroqCloud e estratégia da Nvidia
O negócio não inclui o serviço de computação em nuvem GroqCloud, que continuará funcionando sem alterações. De acordo com Davis, todos os demais ativos da Groq fazem parte do pacote adquirido.
A Groq projetava faturar US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões) em 2025, impulsionada pela demanda por chips de baixa latência usados em grandes modelos de linguagem. Ainda segundo Davis, a empresa não pretendia vender suas operações até ser abordada pela Nvidia.
Maior aquisição da história da Nvidia
Se confirmado oficialmente, o valor pago supera, em larga escala, a compra da israelense Mellanox em 2019, que custou quase US$ 7 bilhões (R$ 38,6 bilhões). No fim de outubro, a Nvidia acumulava US$ 60,6 bilhões (R$ 334,6 bilhões) em caixa e investimentos de curto prazo, contra US$ 13,3 bilhões (R$ 73,4 bilhões) no início de 2023.
Em mensagem interna obtida pela CNBC, o CEO Jensen Huang declarou que os processadores de baixa latência da Groq serão integrados à “fábrica de IA” da Nvidia para atender a um espectro mais amplo de cargas de inferência em tempo real. O executivo destacou ainda que a operação envolve a contratação de pessoal e o licenciamento de propriedade intelectual, mas não a compra da Groq enquanto entidade corporativa.
Imagem: Joana Stock
Em setembro, a Nvidia já havia estruturado movimento similar ao destinar mais de US$ 900 milhões (R$ 4,9 bilhões) à Enfabrica, absorvendo parte da equipe da startup e licenciando sua tecnologia.
Investimentos em IA e histórico da Groq
O acordo ocorre em meio à intensificação dos investimentos da Nvidia em startups de hardware e no ecossistema de IA. A empresa tem aportes na Crusoe, Cohere e CoreWeave, além de planos para investir até US$ 100 bilhões (R$ 552,1 bilhões) na OpenAI e US$ 5 bilhões (R$ 27,6 bilhões) na Intel, ambos ainda sem anúncio formal.
A Groq foi criada em 2016 por ex-engenheiros do Google, entre eles Jonathan Ross, cocriador do chip TPU da companhia. Desde então, recebeu mais de US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões) em aportes liderados pela Disruptive.
O acordo aguarda divulgação de detalhes formais pelas empresas e não teve comentário adicional da Nvidia até o momento.
Com informações de WizyThec

