O rover Perseverance, da NASA, e duas sondas europeias reuniram entre 1º e 7 de outubro de 2025 uma série de registros raros do cometa 3I/ATLAS enquanto ele cruzava os céus de Marte a cerca de 30 milhões de quilômetros de distância.
Além das imagens obtidas pelo veículo norte-americano em 4 de outubro, os satélites ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO) e Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), voltaram suas câmeras para o espaço a fim de acompanhar o visitante interestelar.
Desafio técnico a partir da órbita marciana
Projetado para fotografar detalhes da superfície marciana, o instrumento CaSSIS (Color and Stereo Surface Imaging System), a bordo do TGO, capturou uma sequência em que um minúsculo ponto branco — o núcleo gelado e rochoso do 3I/ATLAS — se desloca lentamente. Envolto por uma nuvem difusa de gás chamada coma, o núcleo mede cerca de um quilômetro de diâmetro e estava distante demais para ser resolvido pela câmera.
Segundo a ESA, identificar esse ponto equivale a enxergar da Terra um telefone celular deixado na Lua. Ainda assim, a coma ficou visível nas fotografias. A cauda, que surge quando o calor solar libera mais material do cometa, não apareceu claramente porque a atividade ainda era baixa. “O cometa é de 10 mil a 100 mil vezes mais fraco do que nossos alvos habituais”, explicou Nick Thomas, pesquisador principal do CaSSIS.
Mars Express tenta extrair mais detalhes
O Mars Express também apontou suas câmeras para o objeto, mas as exposições de meio segundo foram curtas para um corpo tão pouco luminoso. Técnicos agora ajustam contraste e sobrepõem imagens em busca de sinais do 3I/ATLAS. Dados de espectrômetros das duas espaçonaves estão sendo analisados para identificar a composição da coma e de uma futura cauda.
Cometa raro no Sistema Solar
O 3I/ATLAS é apenas o terceiro corpo interestelar já observado, depois de ʻOumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019). Descoberto em 1º de julho de 2025, o cometa pode ter três bilhões de anos a mais que o Sistema Solar, o que o coloca entre os objetos mais antigos já estudados.
Imagem: NASA
Próximas observações
No mês que vem, a ESA planeja usar a sonda JUICE (Explorador das Luas Geladas de Júpiter) para registrar o cometa após sua maior aproximação do Sol, quando deve estar mais brilhante. Os resultados dessas imagens devem ser divulgados somente em fevereiro de 2026.
A agência também prepara a missão Comet Interceptor, prevista para 2029. O observatório ficará em alerta no espaço, pronto para interceptar um cometa primitivo — ou outro visitante interestelar — que se aproxime o suficiente do Sistema Solar interno. “Visitar um desses corpos pode nos ajudar a entender melhor sua origem e natureza”, afirmou o cientista do projeto, Michael Kueppers.
Enquanto as equipes processam os dados coletados em Marte, astrônomos de várias partes do mundo continuam monitorando o 3I/ATLAS, em busca de pistas sobre a formação de planetas e estrelas em sistemas distantes.
Com informações de WizyThec

