Uma equipe internacional de pesquisadores registrou mais de mil cavidades circulares no leito do mar de Weddell, na Antártida, durante uma missão que buscava o navio Endurance, afundado em 1915. As depressões, avistadas em 2019 por um veículo subaquático remoto, formavam desenhos geométricos nitidamente diferentes da camada de fitoplâncton que cobre o solo oceânico.
As marcas chamaram atenção assim que o veículo mergulhou na área recentemente aberta após o desprendimento do iceberg A68, de 5,8 mil km², da plataforma de gelo Larsen C em 2017. Somente com esse afastamento do bloco de gelo a região pôde ser investigada com detalhe.
Origem animal confirmada
Análises posteriores revelaram que as cavidades eram ninhos de Lindbergichthys nudifrons, conhecido como peixe-do-gelo ou bacalhau-amarelo antártico. Segundo Russ Connelly, da Universidade de Essex, a distribuição dos ninhos segue o chamado “rebanho egoísta”: estruturas centrais ficam mais protegidas de predadores, enquanto ninhos periféricos pertencem a indivíduos maiores e mais aptos a se defender.
O estudo sobre o comportamento da espécie foi publicado na revista Frontiers in Marine Science, reforçando o valor ecológico do mar de Weddell, cuja biodiversidade permanece ativa mesmo sob temperaturas extremas.
Pressão por proteção ambiental
Ambientalistas alertam que a região enfrenta mudanças rápidas provocadas pelo aumento de ventos e temperaturas. Desde 2018, a Alemanha propõe transformar mais de 2 milhões de km² do mar de Weddell em área marinha protegida, mas a medida ainda aguarda aprovação internacional.
Imagem: Cnelly et al.
Busca ao Endurance
Enquanto documentavam os ninhos, os pesquisadores continuaram a procura pelo Endurance. O navio de Ernest Shackleton foi encontrado a cerca de 3 mil metros de profundidade, em notável estado de conservação, revestido por anêmonas, estrelas-do-mar e crinóides que agora integram o ecossistema local.
Com informações de WizyThec

