Um transneurônio criado por uma equipe internacional liderada pela Universidade de Loughborough, no Reino Unido, conseguiu reproduzir distintos padrões de atividade do cérebro usando um único dispositivo. O avanço, descrito na revista Nature Communications, abre caminho para máquinas que processam informações de forma semelhante à humana com gasto mínimo de energia.
O chip foi projetado para alternar entre funções ligadas à visão, ao planejamento e ao movimento. Em testes de laboratório, o dispositivo imitou de 70% a 100% dos pulsos elétricos observados em neurônios de macacos rhesus, uma precisão inédita na área.
A flexibilidade do transneurônio é possível graças a memristores, componentes em nanoescala que alteram sua resistência elétrica conforme recebem corrente. Essa característica permite que o circuito “lembre” estímulos anteriores e ajuste seu comportamento, reproduzindo o princípio de aprendizado biológico.
Segundo os autores do estudo, a capacidade de reunir múltiplas funções em um único elemento reduz drasticamente a quantidade de hardware e o consumo energético exigido por sistemas neuromórficos, aproximando a eletrônica da lógica do cérebro.
Os pesquisadores planejam agora conectar vários transneurônios para montar um “córtex em um chip”, capaz de aprendizado contínuo, adaptação e controle refinado de ações. A tecnologia tem potencial de aplicação em próteses neurais, interfaces cérebro-máquina e robótica avançada, além de oferecer um novo instrumento para investigar como diferentes regiões cerebrais se comunicam.
Imagem: Universidade de Loughborough
O estudo é considerado um passo inicial, mas fundamental, rumo ao desenvolvimento de sistemas eletrônicos que percebam o ambiente e reajam de maneira mais natural.
Com informações de WizyThec

