O cometa 3I/ATLAS, terceiro objeto interestelar já identificado, foi tema de uma coletiva de imprensa da NASA realizada após a paralisação de 43 dias do governo dos Estados Unidos. A agência mostrou registros obtidos por mais de 20 missões espalhadas pelo Sistema Solar e esclareceu que o corpo celeste é totalmente natural, sem qualquer sinal de tecnologia alienígena.
Cometa, não espaçonave
Amit Kshatriya, administrador associado da NASA, descartou rumores sobre origem artificial: “3I/ATLAS é um cometa”. Nicky Fox, da Diretoria de Missões Científicas, reforçou que nenhuma assinatura tecnológica foi detectada.
Trajetória segura
Em 19 de dezembro, a menor distância prevista entre o cometa e a Terra será de aproximadamente 270 milhões de quilômetros. O objeto também não chegará perto o bastante de outros planetas, mesmo ao cruzar a órbita de Júpiter em 2026.
Rede de observação inédita
Por estar do lado oposto do Sol no momento da descoberta, o 3I/ATLAS exigiu uma coordenação inédita. A NASA e a ESA mobilizaram mais de 20 sondas e telescópios para acompanhar o visitante a partir de vários pontos.
- Em 2 de outubro de 2025, a câmera HiRISE da Mars Reconnaissance Orbiter registrou a coma do objeto a 145 milhões de quilômetros.
- Em 28 de setembro, a sonda MAVEN detectou hidrogênio resultante da sublimação de gelo de água.
- A espaçonave Psyche avistou o cometa em 18 de setembro, quando ele estava a 53 milhões de quilômetros.
- Lucy, SOHO e STEREO-A também contribuíram com imagens e medições.
- O Hubble observou o núcleo a 446 milhões de quilômetros e estimou seu diâmetro entre 427 metros e 5,6 quilômetros.
- No infravermelho, o James Webb identificou alta concentração de dióxido de carbono.
Composição incomum
Dados preliminares indicam proporção elevada de dióxido de carbono em relação à água, além de maior quantidade de níquel comparada ao ferro. O padrão de poeira também chama atenção: grãos diferem dos observados em cometas do Sistema Solar e, inicialmente, deslocaram-se para o lado iluminado pelo Sol antes de serem empurrados pela radiação solar em sentido oposto.
Imagem: HiRISE MRO NASA
Origem possivelmente antiga
Com velocidade de 209 000 km/h, a entrada do 3I/ATLAS sugere que ele viaja pelo espaço interestelar há eras. Tom Statler, cientista-chefe da NASA para pequenos corpos, afirmou que o cometa pode ter se formado em um sistema planetário mais antigo que o nosso, oferecendo pistas sobre processos anteriores à formação da Terra.
As observações continuam, e os pesquisadores esperam que o visitante interestelar revele mais detalhes sobre a química e a evolução de sistemas estelares remotos.
Com informações de WizyThec

