Fabricantes de veículos nos Estados Unidos e na Europa intensificam o desenvolvimento de motores que dispensam ímãs de terras raras, metais atualmente dominados pela China. A iniciativa envolve gigantes como BMW e General Motors (GM), além de startups e centros de pesquisa, que procuram reduzir riscos de abastecimento e custos de produção.
Por que a mudança
A China controla grande parte da extração e do processamento de elementos como neodímio, disprósio e térbio, essenciais para os ímãs usados em motores de veículos elétricos e híbridos. Em 2025, Pequim impôs novas restrições às exportações desses materiais, em resposta às tarifas aplicadas pelo governo dos Estados Unidos. O cenário elevou a preocupação com eventuais interrupções na cadeia global.
Alternativas em teste
BMW aposta em motores que geram o campo magnético por meio de correntes elétricas, eliminando a necessidade de ímãs de terras raras. Já a GM firmou parceria com a MP Materials para extrair esses elementos na Califórnia e construir uma refinaria no Texas, enquanto pesquisa componentes magnéticos substitutos.
No Vale do Silício, a startup Conifer desenvolveu motores compactos em formato de disco sem uso de metais raros, inicialmente voltados para veículos de duas rodas, com planos de ampliar a tecnologia para automóveis.
Pesquisa de novos materiais
Cientistas da Northeastern University sintetizam a tetrataenita, liga de ferro e níquel encontrada em meteoritos, considerada candidata promissora para substituir ímãs convencionais. O Departamento de Energia dos EUA incentiva estudos e utiliza inteligência artificial para acelerar a descoberta de compostos magnéticos, oferecendo subsídios que chegam a US$ 3 milhões.
Desafio de escala
Ankit Somani, cofundador da Conifer, afirma que a demanda por motores sem terras raras “não é problema”; o maior obstáculo é ampliar rapidamente a produção industrial. Gracelin Baskaran, diretora do Programa de Segurança de Minerais Críticos do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, lembra que a solução não virá em curto prazo.
Imagem: Fellipe Abreu
Para o presidente da GM, Mark Reuss, a questão central é “como eliminar essa dependência” sem comprometer desempenho e custo. Enquanto isso, montadoras seguem estratégias paralelas: garantir suprimentos fora da China e, ao mesmo tempo, aperfeiçoar motores que dispensam elementos críticos.
Embora os avanços técnicos sejam significativos, especialistas avaliam que a produção em larga escala de motores totalmente livres de terras raras ainda exigirá novos investimentos e tempo de maturação.
Com informações de WizyThec

