A Microsoft intensificou a corrida pela infraestrutura de inteligência artificial (IA). Em uma publicação recente no X/Twitter, o CEO Satya Nadella afirmou que a companhia está “unicamente posicionada” para atender à crescente demanda global por capacidade de processamento, enviando um recado direto a rivais como OpenAI, Google e Amazon.
Estratégia de soberania computacional
O objetivo é conquistar soberania computacional, reduzindo a dependência de fornecedores externos e ganhando autonomia para desenvolver e operar os próprios sistemas de IA. Para isso, a empresa investe em três frentes principais:
- Chips proprietários: desde 2023, a Microsoft produz o Azure Maia AI Accelerator, voltado a cargas de trabalho de IA, e o Cobalt CPU, otimizado para servidores de alto desempenho.
- Rede global de data centers: mais de 300 unidades distribuídas por 34 países já sustentam o Azure e serviços como o Copilot.
- Contratos de locação: acordos com provedores externos de nuvem para complementar a capacidade própria.
Super data center Fairwater
Maior símbolo dessa ambição é o Fairwater, em construção em Mount Pleasant, Wisconsin, no terreno de uma antiga fábrica da Foxconn. O complexo receberá investimento de US$ 3,3 bilhões e, segundo a empresa, será dez vezes mais potente que o supercomputador mais rápido em operação hoje.
Quando entrar em atividade, o Fairwater reunirá centenas de milhares de GPUs Nvidia GB200 interligadas, capazes de processar mais de 865 mil tokens por segundo — desempenho considerado essencial para treinar a próxima geração de modelos de linguagem. O projeto utiliza resfriamento líquido em circuito fechado, reduzindo desperdício de água em mais de 90 % da operação.
Aluguel de poder de processamento
Para driblar a escassez global de chips, a Microsoft assinou contratos que somam mais de US$ 33 bilhões com chamadas neoclouds, como Nebius, Nscale, Lambda e CoreWeave. O maior deles, com a Nebius, vale US$ 19,4 bilhões e garante acesso a mais de 100 mil GPUs Nvidia GB300.
Essa capacidade alugada é aplicada internamente no treinamento de modelos de IA, liberando os data centers próprios para clientes corporativos. “Não queremos ficar limitados em termos de capacidade”, afirmou Scott Guthrie, vice-presidente executivo de nuvem.
Imagem: IR Ste
Dependência temporária da Nvidia
Apesar do avanço com chips próprios, a Microsoft ainda utiliza massivamente hardware da Nvidia tanto no Fairwater quanto nos contratos de locação. A companhia reconhece que a independência total é um objetivo de longo prazo e que, por ora, precisa equilibrar velocidade de expansão com a redução da dependência de fornecedores externos.
Com investimentos bilionários e uma cadeia produtiva que vai dos chips aos data centers, a Microsoft busca assegurar vantagem competitiva na próxima fase da IA, em que possuir poder de processamento se torna tão estratégico quanto desenvolver modelos avançados.
Com informações de WizyThec

